[[legacy_image_64425]] Uma equipe que há dois anos estava na segunda divisão do Campeonato Espanhol hoje se encontra entre as oito melhores da Liga Europa e terá pela frente, em abril, um duelo com o Manchester United para manter vivo o sonho de um inédito título continental. A ascensão do Granada é uma das histórias mais surpreendentes da temporada 2020/2021 do futebol europeu e reforça algo que digo há tempos: quem pensa que a Espanha pode ser resumida a Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid está enganado. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O Granada começou a sonhar grande em 2016, quando foi comprado por um grupo empresarial chinês que saiu gastando dinheiro, mas acabou vendo o time naufragar para a segundona local na primeira temporada. Um ano depois, o retorno à elite era visto quase como uma obrigação, mas o clube não conseguiu se recuperar e sequer chegou à fase de playoffs do campeonato de acesso. Neste momento, as rotas precisaram ser recalculadas e ficou claro que o investimento chinês, por si só, não renderia nada. Na metade de 2018, enquanto formava o elenco para uma nova disputa da divisão de acesso espanhola, o Granada fez uma movimentação que explica muito do sucesso atual do time, contratando o jovem treinador Diego Martínez, à época com 37 anos. Com ele, não há tempo ruim e o esquema tático se adapta ao material humano disponível. Por isso, o time demonstra bom toque de bola, mas chama atenção especialmente por manter uma marcação intensa desde o ataque, o que torna a defesa o ponto forte da equipe. A partir daí, em escalada meteórica, o Granada chegou às semifinais da Copa do Rei em 2020, terminou o Campeonato Espanhol de 2020 em 7º lugar, superou três fases prévias, avançou na etapa de grupos e venceu dois confrontos de mata-mata na Liga Europa 2020/2021, sendo um deles contra o Napoli, e vendeu caro a eliminação na Copa do Rei 2021 - o time chegou a abrir 2 a 0 sobre o Barcelona nas quartas de final e acabou derrotado por 5 a 3, numa das partidas mais emocionantes da atual temporada. Em meio à mescla de jovens talentos com nomes experientes e que dão peso ao elenco, a principal referência do time é o atacante Roberto Soldado, de 35 anos, mas ainda com muita lenha para queimar e extremamente rodado - a ponto de já ter anotado gols em competições europeias por cinco clubes espanhóis, de 2005 para cá: Real Madrid, Osasuna, Valencia, Villarreal e Granada. Ao seu lado, há outro veterano atacante, Jorge Molina, que balança as redes com regularidade e fará 39 anos no mês que vem. A apaixonada torcida do clube conta as horas para os duelos contra o Manchester United - em 8 e 15 de abril. Contudo, com elenco curto, o Granada terá de se desdobrar, pois a previsão é de disputar sete jogos em abril, que podem se tornar oito se o time ir às semifinais da Liga Europa. No apertado calendário, devido à pandemia, o clube já entrou em campo 46 vezes desde setembro, uma a mais que na temporada anterior toda. Uma verdadeira maratona, mas que pode se tornar ainda mais inesquecível.