[[legacy_image_10733]] No futebol brasileiro, que cai aos pedaços por causa da incompetência dos dirigentes, nem o que parece funcionar funciona de fato. O Palmeiras dos milhões e dos títulos nacionais já soma uma dívida de R\$ 538 milhões, conforme relata o jornalista Paulo Vinícius Coelho em seu blog. Embora na diretoria haja o entendimento de que a situação é administrável, uma vez que a receita anual do clube é de R\$ 600 milhões, não dá para admitir um passivo tão alto. Principalmente se lembrarmos que, há pouco mais de dois anos, o então presidente Paulo Nobre deixou a casa em ordem. Um complicador para o Palmeiras é também seu principal fiador. A Crefisa, que permite ao clube montar elencos recheados de opções renomadas para os treinadores, tem a receber R\$ 174 milhões, pois, conforme determinação da Receita Federal, os jogadores contratados por ela não podem ser doados, e sim emprestados. Diante desse cenário, é impossível não lembrar do fim do casamento entre Palmeiras e Parmalat. Os anos de felicidade e vitórias chegaram ao fim quando a empresa vendeu os principais jogadores e foi embora, deixando o bagaço da laranja e o caminho aberto para a Série B em 2002. Entretanto, esse seria o pior dos cenários. Muito mais estruturado do que no passado, o Palmeiras pode até derrapar quando a parceria com a Crefisa terminar, mas chegar ao fundo do poço é hipótese remota. Contudo, convém não abusar da sorte. Para 2020, em movimento que mostra ciência da situação, a diretoria tem mais vendido e emprestado do que comprado jogadores. Borja vai passar um ano tentando se valorizar no Junior Barranquilla. Artur e Gustavo Scarpa podem ser os próximos a sair. Isso sem falar em Fernando Prass, Antonio Carlos, Edu Dracena, Thiago Santos e Henrique Dourado, que, por diferentes motivos, saíram e aliviaram a folha de pagamento. Outro sinal de prudência – e também de inteligência – está na intenção de maior aproveitamento das revelações feitas em casa. Na verdade, trata-se de medida natural, já que os times de base do Palmeiras estão há anos ganhando títulos. Gabriel Veron, melhor jogador do Mundial Sub-17, está aí para ser testado. Além disso, o ano que está prestes a terminar evidenciou que, para apostar em Felipe Pires, Carlos Eduardo e mesmo em Lucas Lima, um dos piores custos-benefícios da história, vale mais pagar menos e arriscar em apostas racionais.