[[legacy_image_154237]] Se você não tem pressa, pode comer num restaurante à la carte.E esperar o moço da cozinha fazer os paranauês todos. Você tem tempo. Pode aguardar comendo umas azeitonas pretas e enchendo o bucho de pão com aquelas manteigas que servem no café da manhã em hotel. E beringela. Eu não como beringela. Beringela de couvert parece cérebro de zumbi, xuxado no vinagre. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! À la carte é uma expressão típica do francês que significa "como está no cardápio". Calma. Não falo francês, mas procurei no Google. Voltemos ao motivo do texto. O mundo urge. Os boletos te cobram. Os pix´s voam. Você tem pressa. E quem tem pressa, come num restaurante por quilo. Porque é prático. É rápido. Não precisa esperar.Mas o mundo não é perfeito. Se fosse perfeito não teríamos pandemia, ômicrons e afins. Nem gente correndo na ciclovia. Não existiria e TIM e nem esse calor que faz em Santos. E como não é perfeito, quando você chega no restaurante por quilo, sempre tem uma pessoa na sua frente. E essa pessoa que está na sua frente, decide fazer uma sessão de terapia com os leguminosos, carboidratos e proteínas que estão expostos naquela imensa bandeja de opções.Ela olha. Pensa. Calcula.Ameaça pegar. Desiste. Pega concha. Desiste. Procura o pegador de macarrão. Desiste. Imagina essa pessoa, jogando numa final de Copa do Mundo, com 3 bilhões de pessoas assistindo.Pressão total. Empate de 0x0. Final de jogo. O lateral dribla o marcador, vai na linha de fundo e cruza. A bola vai em sua direção à 140km/hora. Ela tem segundos para decidir se cabeceia, se mata no peito, se antecipa ao zagueiro. E ela fica pensando. A bola passa. O jogo acaba. O time dela perde nos penaltys. O juiz vai embora. Os times vão embora. As pessoas vão embora. As luzes se apagam. E ela perguntando: “pego arroz ou macarrão?”. Pqp. Será que essas pessoas esperam um sinal divino das comidinhas? Que o arroz comece a falar e diga “me pega, me pega, me pega!!!!” Que o frango dê uma cambalhota pra chamar a atenção? E você? Ah, você espera. Como se estivesse num restaurante à la carte. Mas sem azeitonas pretas. Nem manteiguinha. Aí, a pessoa se senta na mesa do seu lado, depois de participar desse aprofundado estudo gastronômico e diz: “Acho que eu deveria ter colocado feijão”. Jesus Amado.