[[legacy_image_358882]] O que determina se algo é caro, barato ou na medida? Aquilo que o produto oferece em termos de utilidade e qualidade, quando comparado ao preço que se cobra por ele. Então, o que justificará pagar aos vereadores a serem eleitos neste ano, e que tomarão posse no próximo, salários mais do que dobrados em relação aos atuais? Em Santos, por exemplo, faz, realmente, três legislaturas, ou 12 anos, que os representantes do povo na Câmara Municipal não têm os subsídios reajustados. Mas é de se imaginar que não são maus os R\$ 9.938,94 brutos que ganham, tomando o valor por si só. Cada um sabe o quanto trabalha, e você também pode saber uma parte desse tanto vendo sua atividade legislativa no link bit.ly/quefazem. Independentemente do que você concluir dos trabalhos legislativos dos vereadores, eles receberão mais do que o dobro a partir de janeiro. Os escolhidos em outubro próximo e empossados em janeiro seguinte terão subsídios — nome formal que se dá ao salário de um legislador — de R\$ 19.803,83, ou 14 salários mínimos. E haverá, muito provavelmente, uma novidade à qual, pasme, nem todos os vereadores prestaram atenção (ao menos, alegaram não ter notado) em um projeto de resolução votado e aprovado neste mês: o décimo terceiro subsídio, incluído no Regimento Interno da Câmara. Sim, há quem afirme não ter notado, ainda que tenha saído na imprensa antes da votação, como na coluna Dia a Dia. Mas como não perceberam uma vantagem tão relevante? Porque foi um de vários artigos incluídos em um projeto inicial de um vereador que pretendia regular a validade de atos administrativos da Casa. A esse projeto de resolução foram anexados vários outros, que compuseram um grande e novo projeto com mais de 30 artigos. Entre eles, o do décimo terceiro, cujo ideólogo não se apresentou. Pois a colcha de retalhos passou por duas votações na Câmara e, depois de aprovada e de uma tímida reação negativa ao sorrateiro artigo do salário extra, houve vereadores sugerindo votar esse ponto do texto à parte ou, ainda, declarando que, se fosse separado do ‘projetão’ e analisado de forma específica, dariam seu voto contrário ao 13°. É tranca em porta arrombada. Quanto ao reajuste geral, está na Constituição: vereadores de cidades com população como a de Santos podem ganhar até 60% do que recebe um deputado estadual. O 13o causa controvérsias. Enfim, tomaram-se aqui os vencimentos deles como exemplo de que, se um vereador não presta atenção ao que deve votar, se deve concluir a que nós, seus representados, estamos sujeitos. Sem falar em pedidos de conserto de calçadas, de datas comemorativas, entrega de homenagens... Há vereadores que acham que apontar buraco em rua e enviar ofício disso é fiscalizar os atos da Prefeitura. É uma tarefa muito maior e mais trabalhosa. Vai bem além de espezinhar governos por besteiras. É ver os contratos do Município com empresas, seus custos, averiguar serviços públicos. Ajudar a melhorar a cidade. Ou o eleitorado vota melhor ou vai pagar caro. Em todos os sentidos.