<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="280" data-start="27">A política internacional desafia o velho ditado segundo o qual só não há jeito para a morte. E, de fato, essa atividade está deslizando para o fim. Têm morrido o diálogo, o debate de propostas, as ideias consistentes para os problemas reais das pessoas.</p> <p data-end="509" data-start="282">Trocou-se tudo isso por mentiras e besteiras publicadas em redes sociais por aqueles que, muitos dos quais descaradamente, reaparecem a cada dois ou quatro anos pedindo votos. Isso se junta à campanha permanente dos já eleitos.</p> <p data-end="739" data-start="511">Essa caminhada para a morte da política tradicional — que ainda respira por aparelhos porque existem bolsões de resistência ao uso da palavra no lugar de memes, desenhos, gritos de guerra e danças grotescas — está se acelerando.</p> <p data-end="981" data-start="741">Quem acompanha o noticiário político vai se lembrar de gestos e expressões como “lixo careca”, o uso do dedo do meio para mandar alguém a algum lugar desagradável, requebros (que parecem espasmos) de gente que surge com a camisa da Seleção.</p> <p data-end="1277" data-start="983">O presidente dos Estados Unidos age como um pirata moderno, mas de métodos antigos, ao passo que a população de seu país sofre no bolso tarifaços que ele impõe a outras nações. O presidente da Argentina vem ao Brasil xingar o presidente brasileiro enquanto faz campanha ao maior opositor deste.</p> <p data-end="1468" data-start="1279">Políticos fazem vídeos contra ou a favor de governos, com frases soltas e tiradas de contexto, no estilo “Fulano arrasou com Beltrano” — quando, ao se ver o vídeo original, foi o contrário.</p> <p data-end="1849" data-start="1470">Políticos se aproveitam de medos, nem sempre fundamentados. Estimulam temores, soltam falácias em forma de solução, instigam pessoas a comprar ideias com cara de remédio, mas que jamais fariam efeito como sugeridas, e transformam em cão raivoso um cidadão qualquer predisposto a brigar com alguém por absoluta falta do que fazer ou ávido para descontar no mundo suas frustrações.</p> <p data-end="1934" data-start="1851">Tal cidadão passa a se sentir parte de algo. Esse “algo” é fantasioso, mas ele crê.</p> <p data-end="2067" data-start="1936">Talvez se explique assim porque tantos que não passariam de zeros à esquerda há 30 ou 40 anos estão, hoje, entre campeões de votos.</p> <p data-end="2354" data-start="2069">Gente absolutamente despreparada, que não conseguiria emprego privado ou público por ser incapaz do mínimo ou por ter preguiça de melhorar — e, mesmo assim, acha ter direito de ficar rica à custa do contribuinte —, tem chegado ao Legislativo em cidades e estados economicamente fortes.</p> <p data-end="2404" data-start="2356">O País sofreu com esse desastre faz pouco tempo.</p> <p data-end="2471" data-start="2406">Aqui, uma ironia: é possível que nós sejamos todos uns invejosos.</p> <p data-end="2739" data-start="2473">Sem habilidade para convencer os outros de que nosso peixe é mais fresco (ou de que não temos peixe, mas distribuiremos varas para pescar), não ganhamos o prêmio do voto, que dá acesso a casas legislativas e administrativas cujos ocupantes são muito bem remunerados.</p> <p data-end="2918" data-start="2741">Nós, uns maledicentes, temos ressentimento de políticos que faltam às sessões para comer churrasco ou ir ao futebol de várzea em seus redutos eleitorais sem desconto no salário.</p> <p data-end="3006" data-start="2920">Somos uns tristes, pois poderíamos alegar perseguições para pedir dinheiro ao público.</p> <p data-end="3053" data-start="3008">Está difícil sair da UTI sem ser para a cova.</p>