(Canva IA) Comentários sobre os debates eleitorais em São Paulo dão conta de que o tempo pré-histórico, na impossibilidade de voltar, surgiu em uma segunda edição, revista e ampliada, de boçalidade. Supondo ter sido mesmo um período violento entre homens e animais — pelo que se depreende de pinturas rupestres —, o foi porque se estava aprendendo a lidar com a natureza, inclusive a humana. Hoje, de quase tudo se sabe, e comportamentos primitivos na tevê são ofensivos e inaceitáveis. O costume dos debates ao vivo entre candidatos a cargos públicos se firmou a partir de 1982, quando o Brasil via a luz da democracia no fim de um túnel de repressão política. Já se haviam criado os cinco partidos políticos estabelecidos naquele cenário: PDS (sucessor da Arena), PMDB (que reuniu toda a oposição à ditadura), PT, PTB e PDT (estes dois últimos deveriam ter sido um, mas uma divisão entre Leonel Brizola e Ivete Vargas, sobrinha de Getulio, levou o PDT a nascer). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Após 20 anos sem que o paulista pudesse escolher governadores, considerando que a última eleição direta para o cargo tinha sido quase dois anos antes do Golpe de 1964, os debates na televisão eram a vitrine na qual se mostravam aquelas figuras que tinham algo a dizer. Quem eram, que pretendiam afirmar e por que estavam ali eram atrativos que, por si sós, garantiam a audiência desses encontros entre candidatos. E eles diferiam. Sabia-se o que pensavam e por que concordar ou não com eles. Essa tarefa se complicou após o surgimento de mais rupturas partidárias, de siglas novas que nada tinham de novo a acrescentar ao debate, de legendas cuja tarefa era concentrar nacos de poder. Com base nele, espalhar sua abrangência a outros estados, cidades e se tornar uma grande massa de gente que não pensava, necessariamente, do mesmo jeito, mas tinha um objetivo singular: se fazer na política, fosse pela imposição de ideias ou — sobretudo e lamentavelmente — pelo enriquecimento. A erosão do ato de fazer política não se deu pela polarização partidária. Ela sempre existiu e é estimulada entre adversários que compreendem ser mais fácil brigar entre si do que ficar discutindo com três competidores ou mais. E mesmo porque não são tantas assim as correntes de pensamento. No fundo, são duas, situação e oposição, no máximo com nuances que transformariam o azul em um tom de azul-claro ou azul-escuro, numa mistura que não representa uma cor nova, só alterada. A atividade política se estragou à medida que, tirando a extrema esquerda, se passou por todo tipo de governo no Brasil. Cansada de resultados insatisfatórios em grande parte do tempo, a maioria do eleitorado julgou, em certa época, precisar de alguém que fosse o chutador do pau da barraca. O antissistema. Ela elegeu uma simulação. Ao concluir que não houve governo, não o reconduziu, ainda que por pouco. E os derrotados vêm fazendo de tudo para minar quem venceu e tentar voltar. Quanto aos candidatos que debaterão em Santos e região nestes meses, que se afastem de retrocessos evolutivos.