(Vanessa Rodrigues/AT) A maioria dos partidos políticos não tem posição clara sobre de qual lado está. Essa dúvida já é suficiente para se concluir que dá as costas ao povo. Não há meio-termo. As legendas estão a favor de si mesmas. Pulverizam-se, separam-se, unem-se, anulam-se conforme a necessidade que veem de fazer sobreviver seus membros. Os mais recentes anúncios de junção de siglas não são por convergência ideológica, mas visando a uma fatia maior dos bilhões de reais do fundo partidário. Nas cidades e em momentos decisivos, como as eleições para prefeituras, os partidos se tornam uma baderna incontrolável e que não foi feita para ser compreendida, mas aproveitada. Mongaguá, a bola da vez porque precisará de uma eleição suplementar à Prefeitura por causa da invalidação da anterior, tem concorrentes que recebem apoio apenas parcial de suas agremiações. Quem estava com ‘x’ passou para o lado de ‘y’, e membros do partido ‘z’ estão em campos distintos do jogo. Também se vê que, em crises e, sobretudo, quando devem respostas a respeito de seus atos e omissões, vendem seu passe. E eis o milagre: saem valorizados quando, sob condições morais que levariam indivíduos à vergonha pública e à prisão, acabam transformados em vitrines que oferecem um produto caro, flexível e sem garantia — o apoio a um governo, muito bem pago com postos no primeiro escalão, diretorias, assessorias, emendas parlamentares, acesso ao cofre público. Em Brasília, faltou decência a alguém do PDT quando se decidiu tirar a sigla da base governista e passá-la para o espectro ‘independente’. Pois, ao perder o Ministério da Previdência em razão de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, o partido não tinha de se irritar, mas pedir desculpas públicas por, no mínimo, sua inação. Faltou caráter a alguém do PL no momento de, ao ver o escândalo previdenciário, apontar o dedo para o governo atual tendo ciência de que foi na gestão passada inteira que essa indignidade passou incólume. Mas o PL, e não só ele, parece não sofrer dores na consciência. Estava com o PT até ver sua maior liderança amargar cadeia e, livre, viu a oportunidade de voltar ao governo e com a conta recheada pela engorda de sua bancada na Câmara, vitamina maior do fundo partidário. Põem-se em discussão, até, votos que se podem considerar corretos. Os três deputados federais que representam a Baixada Santista foram contrários ao aumento do número de cadeiras na Câmara — projeto aprovado, que valerá a partir de 2027 e inflará também as assembleias legislativas de nove estados. São Paulo não está na relação. A esperar o que acontecerá se chegar a hora da verdade paulista. Partidos dominados por famílias, dirigidos por maridos e mulheres de políticos com mandato, candidaturas de filhos, netos, sobrinhos. São mesmo coisa pública?