Políticos mostram razões objetivas para as decisões que tomam: completar tarefas pela comunidade. Mas, nesses motivos expostos ao público, há questões subjetivas, pessoais. Não é apenas pelo declarado amor a uma cidade, pela decantada missão de servir, pelo que resta fazer a fim de que a vida das pessoas seja boa. O fato é que prefeitos, governadores, presidente, deputados, senadores e vereadores sempre anteveem um horizonte eleitoral do qual participem com sucesso. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Poderia ser, mas não é, uma crítica, mesmo porque não adianta: quem entra na política e conquista espaço tem por meta principal ser o mais longevo possível nesse mundo. É legítima a crença em que ser eleito para um mandato é o começo do caminho no qual se ajudará na reconstrução de uma sociedade necessitada de bons exemplos. Se, porém, a atividade política pagasse mal e não oferecesse benefícios largamente compensadores dos problemas, haveria bem menos candidatos. E, aqui, se faz um exercício de motivos não confessados nem sequer em off, como se diz no jargão jornalístico sobre a expressão ‘off the record’ (fora da gravação, do ar, dos registros formais, de modo não oficial). Por que o prefeito de São Vicente, Kayo Amado, não renunciou? Ele cogitou concorrer a deputado federal e, em 2018, foi o mais votado de seu então partido no País inteiro para o cargo; não chegou a Brasília apenas porque a votação da sigla era insuficiente para fazer um só parlamentar. Então, por que, com tamanho potencial, alimentado por uma reeleição na qual conseguiu quase nove de cada dez votos válidos, não se arriscou outra vez para representar a região no Congresso? Não renunciou porque — e o que se segue não são afirmações dele, nem mesmo em off, mas suposições — é difícil trocar o certo pelo duvidoso. O certo é um mandato até o fim de 2028, e o duvidoso, não apenas se eleger deputado, mas manter coeso um grupo político. Deixando o cargo, o governo passaria a alguém de outro partido, que deteria o poder. E os vereadores, hoje todos aliados do prefeito, poderiam ver na nova direção da Cidade uma brecha para projetos próprios. Também conjecturando sobre a vice-prefeita e secretária de Educação de Santos, Audrey Kleys, ela se filiou a outro partido a uma semana do fim do prazo para quem quisesse disputar as eleições deste ano. Em 2022, chegou a segunda suplente na Assembleia Legislativa e teve mais votos do que dois deputados estaduais eleitos. E, desde o fim da eleição de 2024, é tida como uma possível candidata à sucessão, pois o prefeito Rogério Santos não poderá disputar outro mandato. O que a teria levado a não deixar o cargo? Talvez, a incerteza dos cenários políticos local e nacional até 2028, quando poderá ser que a hoje deputada federal Rosana Valle volte a disputar o cargo. Rosana foi competitiva em 2024. Talvez só fizesse frente a ela outro deputado federal, o ex-prefeito santista Paulo Alexandre Barbosa. Audrey, para se fortalecer em Santos, teria de ficar na Cidade. O tempo e a vida dirão quem acertou.