( Reprodução/Twitter ) Cada lugar tem seu 11 de Setembro. As razões variam. O dos Estados Unidos ocorreu nessa data há 25 anos: um ato terrorista que matou 2.977 pessoas. O do Brasil, muito menos falado, foi o 8 de abril de 2021, dia mais letal da pandemia de covid-19 no País, com 4.249 mortes. Diferentes no método, se assemelham no desprezo pela vida humana. Ambos têm consequências ainda hoje sentidas e que fazem mal à população desses países. Os terroristas que desejavam o fim do predomínio norte-americano no planeta alegavam reagir a ataques a seu povo e a sua religião e que visavam, no fundo, ao enriquecimento dos Estados Unidos. O coronavírus, que causou terror, mas não é um ‘terrorista’ por não ter causa geopolítica nem alvo específico, matava ao abrir caminho em um campo de ignorância e desleixo que, ainda hoje, quantidade significativa de brasileiros apoia pela revolta contra o “fique em casa”. São curiosos os desejos de liberdade em fatias consideráveis das nações. Aqui, há políticos que estimulam algo que poderia ser classificado como o direito de morrer de doenças evitáveis, desde que ninguém obrigue as pessoas a agir como sempre fizeram: tomando vacinas, mantendo distância de pessoas infectadas, isolando os doentes e, para evitar o perigo de adoecer e ir para uma cova, faturar menos por enquanto para, passado o risco, voltar a ter faturamento e se refazer. Também no Brasil, são comuns os maníacos da falsidade no WhatsApp e dos perfis de falsas notícias que alegam “dizer a verdade que ninguém tem coragem de mostrar”. A “verdade” é que “ninguém tem” essa “coragem” porque é mentira, distorção, engano, inversão de discurso. É o tipo de gente que, ao saber de um cidadão que foi assaltado e agredido duramente, ecoa a voz do bandido, criticando a vítima por ter saído de casa em determinado horário e ‘dado mole’ ao ladrão. Todas essas coisas dão origem a muitos episódios de ‘Onze de Setembro’, que não exatamente caem nessa data e não serão todos lembrados. Ou, quando forem, não o serão como deveriam — dias de memória e reflexão para que façamos diferente. Basta ver a reação de tantos, no Brasil, à pandemia, aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e, agora, aos indícios de corrupção no Supremo Tribunal Federal, com o apoio público ao que não necessariamente é o certo para contê-los. Em tempo: não é terror, mas é terrível que se aceite com normalidade um senador da República cobrando providências e cassação de um ministro do Supremo por ter mantido contatos vantajosos com um banqueiro ao qual esse mesmo senador apelou, e foi atendido, para milionários fins particulares. Equivale ao uso de gasolina para apagar um incêndio, ao despejo de água para aliviar uma enchente, ao Maligno pregando as Escrituras. Também atemoriza que parte da solução dessa crise moral permanente passe pelo voto, um instante em que o cidadão é chamado a se fazer ouvir. A depender do que ele gritar nas urnas, resultará o paradoxo da deterioração das bases democráticas, ao invés de seu conserto.