Geração de mídias começou em todo o estado de São Paulo nesta terça-feira (24) ( Divulgação) Se na primavera estão voltando as flores, nas campanhas políticas brotam novamente os críticos do ‘sistema’. São candidatos, assessores e uns tantos cabos eleitorais que vestem a roupa dos puros e idealistas, com o tom professoral de quem dá uma lição de honestidade e honradez a nós, cidadãos comuns e, por isso, falhos de caráter e ignorantes incapazes de abrir os olhos para as sistemáticas maldades que impedem o triunfo do ‘bem’ sobre o ‘mal’. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa espécie de críticos do ‘sistema’ é equivalente a uma erva daninha ou a um parasita da planta que, em sentido figurado, pode ser chamada de democracia. São indivíduos que já fazem parte do ‘sistema’. Estão se candidatando a cargos públicos com base nas regras existentes. Outros tantos já são detentores de mandato eletivo, vivendo às custas do ‘sistema’. Seria menos vantajoso ser anarquista de graça do que com os generosos salários pagos aos eleitos e ao seu pessoal de gabinete. Há uma frase atribuída a um escritor inglês do século 18, chamado Samuel Johnson: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Ele não dizia que ser patriota era canalhice, mas que os positivos e saudáveis valores patrióticos — e que, no fim das contas, se resumem ao respeito geral a toda gente que compõe e integra a pátria — são surrupiados por indivíduos com fins duvidosos e proclamados por pessoas que, se tivessem chance, ficariam com a pátria e os bens dela. De uns poucos anos para cá, cidadãos de índole questionável e cheios de preconceitos contra aquilo que não lhes dá tanta vantagem quanto querem ter se tornaram críticos do ‘sistema’. Como se não fosse por tudo o que há em um regime democrático e com poderes separados, e sob as virtudes e falhas desse ‘sistema’, que esses falsos pregadores não tivessem nascido e estejam vivendo. Ser ‘antissistema’ é o terreno no qual canalhas estão construindo seu novo conjunto habitacional. É um dever observar e criticar falhas governamentais, parlamentares, judiciais, da imprensa. Todos estamos sujeitos a erros que cometemos sem querer e devemos ser punidos em caso de intenções propositadamente criminosas. Porém, usar a crítica ao ‘sistema’ não para sugerir modos concretos de melhorá-lo, mas para tomá-lo de assalto para, chegando lá ao topo do ‘sistema’, fazer o que quiser dele e dos outros é um projeto ditatorial em benefício próprio, sobretudo financeiro. Não é só aqui. Contudo, no Brasil, críticos do ‘sistema’ querem se aproveitar dele e incluir sua família nele, no qual enxergam fonte de poder e riqueza. Aproveitam a fama que constroem para, se não dominar, receber benesses de partidos políticos, como as de serem dirigentes honorários longa e fartamente sustentados pelo dinheiro público. A ditadura foi assim: no mesmo dia em que tirou de Santos o voto direto para prefeito, tornou obrigatórias em todas as escolas aulas de Educação Moral e Cívica. No avesso do avesso, é preciso criticar os críticos e, dependendo de quem são, deixá-los o mais longe possível de definir destinos coletivos.