Os atuais governos Federal e Estadual estão a pouco a mais de um semestre para terminar. Entre avanços e retrocessos, em um ritmo no qual se dá um passo para recuar um ou dois, os eleitos em 2022 e suas equipes estão se preparando, neste período de pré-campanha, para prometer ou fazer sonhar coisas já ditas quatro anos antes. Ou oito. Ou 16. Ou 32, sempre em quadriênios que se tornam ilimitados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O uso generalizado e de força insuperável das redes sociais faz o eleitorado se esquecer de vez que, para cobrar promessas e exigir soluções, há a intercessão do Poder Legislativo. Neste caso, que deveria ser dos deputados estaduais e federais. Mas a busca pela curtida e pelo compartilhamento eliminou o senso crítico da oposição, da situação e dos supostos neutros, que podem ir para qualquer lado. Nessa corrida por influência digital, aparecem projetos de lei esparsos, geralmente em reação a notícias do momento e para engajar o público, e notícias de indicação e entrega de emendas parlamentares (de verba do Orçamento do Executivo, não do Legislativo) para cidades que não necessariamente são da base eleitoral de políticos eleitos, de forma mais expressiva, com votos da Baixada Santista. É verdade que, se um deputado é estadual ou federal, significa, em tese, que a abrangência de suas atividades supera seus redutos municipais ou metropolitanos. Esse político se torna ‘convidado’ a trabalhar por um Estado inteiro ou nacionalmente. Grandes nomes da política brasileira superaram suas divisas. De Santos, pode-se tomar por exemplo o falecido ex-governador Mario Covas. Porém, nota-se que os atuais representantes da Baixada Santista não aparentam ter pretensões tão altas. A exceção consiste em acusações ideológicas, notadamente na direita, nas quais se visa a criar confrontos desnecessários; bastaria diálogo, mas o que se quer é separar uma fala, fazer um vídeo e dar a entender que era reação a uma ameaça — que nem sequer existiu, mas é preciso dizer que houve. Esses conflitos, por vezes legítimos, mas em geral forçados, são uma nova tática na busca por relevância digital. É o novo idioma da política, que escanteia os antigos ‘monoglotas’ norteados por ideias e pela procura de consensos. Impressionada, parte do público passa a achar que, se um político é mais incisivo ou produz um vídeo marcante, é sinal de que ele está ‘trabalhando’ pela população. Enquanto espertos moldam a própria imagem, discussões e projetos de não tão longo prazo assim para a Baixada voltam ao começo. O eleitor é abandonado antes, durante e depois do mandato por influenciadores digitais que, cheios de assessores e vantagens, mais se assemelham a microempresas com o fim de garantir a própria reeleição do que a representantes das necessidades populares. Tudo isso serve para pensar, neste meio de mandatos de prefeitos e vereadores, o que se espera deles. Prestes a completar 30 anos, a Região Metropolitana da Baixada Santista depende também desses políticos para acelerar o andamento de suas pautas.