Quem vencer a eleição presidencial deste ano não será um ganhador. Assim foi em 2022: teve mais votos aquele que pôde impedir o principal adversário de governar. Não é uma boa perspectiva, pois ela carrega mais o alívio, por parte daqueles que terão votado no futuro presidente — e desespero da outra parte —, do que a esperança de que o próximo governo, qualquer que seja, leve adiante ideias para tornar o País menos desigual e, de forma verdadeira, desenvolvido. Também independentemente do candidato que ganhará, Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro, tende a haver dificuldade na relação com o Congresso. Não por problemas ideológicos, pois a maioria dos eleitos ficará no chamado Centrão e se adaptará a qualquer governo. A questão será a voracidade crescente de parlamentares, que abandonam sua função de legislar e de fiscalizar o Executivo para intermediar o envio de dinheiro público a projetos, muitas vezes, particulares. Os dois concorrentes foram citados no parágrafo anterior porque são os únicos a ter chance de conquista. Nenhum dos demais, entre os menos mal votados nas pesquisas de intenção de voto (Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema) conseguiu se apresentar como a tão idealizada terceira via. Mesmo porque, durante a campanha, eles provaram, por atitudes e palavras, ser a ‘segunda via B’, uma repetição desgastada e enfadonha de um mau direitismo, o antipovo. Flávio Bolsonaro, portanto, é a ‘segunda via A’, e Lula, a ‘primeira via’ no atual cenário político em que a centro-esquerda busca a reeleição. Ainda que números oficiais mostrem menos desemprego, inflação menor e queda na fatia do Imposto de Renda aos assalariados com menos de R\$ 5 mil brutos por mês, a primeira via não consegue se mostrar mais asfaltada e sinalizada do que seria a ‘segunda via A’. Isso, apesar de esta equivaler a uma empresa sem material nem mão de obra. A polarização política, que parte da classe e de cientistas do segmento afirma ser artificial e forçada, na verdade não o é tanto assim. Tomando por base o que não deveria ser o principal aspecto do debate político — a religião, mesmo em uma nação de maioria declaradamente cristã —, há um trecho do Evangelho no qual Jesus orientava: “Que o seu ‘sim’ seja ‘sim’, e o ‘não’ seja ‘não’; o que você disser além disso vem do Maligno’”. A terceira via, portanto, dá impressão de ser enganosa. Outro aspecto da polarização é que o eleitor, de forma inconsciente, faz por conta própria sua reforma política. Ser ter essa pretensão, demonstra nas urnas, ao votar para prefeito, governador ou presidente, que não há ideologias em variedade tamanha quanto o número de partidos políticos registrados (30). O público quer respostas claras: mais emprego? Melhor educação? Menos inflação? Mais indústrias? Menos pobreza? Menos corrupção? É ‘sim’ ou ‘não’. O ‘talvez’ é do Coisa Ruim. Evitar o ‘talvez’ dependerá também do Congresso. Votar bem para deputado e senador será um passo. Ajudará a expulsar determinados seres do Paraíso.