As transformações da atividade política são como a vida: um pioneiro tem uma ideia, a põe em prática, ela dá certo e, daí, em um efeito manada, os demais a copiam. É assim no que se refere a faltar a debates na televisão (um deixou de ir, outros não vão também), a ofender adversários (um xinga, o eleitor aplaude porque “alguém diz o que a gente pensa”, e outros políticos fazem igual) e, agora, a caçar votos fora das bases eleitorais das quais os candidatos declaram ser. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sempre houve quem apelasse ao eleitorado de outras regiões para reforçar sua votação. Agora, no entanto, com o caráter permanente da campanha eleitoral e que dribla quaisquer limites legais, é durante quatro anos que políticos da Baixada Santista correm também o Interior, atrás daqueles votos que podem fazer a diferença na contagem. E os que já têm mandato saem à frente porque apresentam projetos e emendas parlamentares para cidades que nem conhecem direito, mas pisaram. Ficou difícil responder, caso alguém pergunte, se ainda faz sentido a antiga ideia pela qual eleitores da Baixada devem destinar seus votos a concorrentes da região, a fim de que as nove cidades sejam mais bem representadas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Claro: os deputados não são municipais nem regionais, pois representam, seja em Brasília ou em São Paulo, o território paulista. Claro: na teoria, se um parlamentar tem vínculo com a região, melhor pode lutar por ela. Uma questão é que tanto as constantes viagens para fora da base eleitoral quanto o uso massivo de redes sociais, com vídeos e mensagens emocionais e curtos, para provocar impacto e não cansar, são capazes de levar eleitores de outras localidades a crer que uma figura mais simpática, articulada, sorridente e disposta a abraçar qualquer um (e qualquer coisa) pode ser a opção deles na urna. Criam-se microbases eleitorais, e políticos já não são mais ‘da região’, mas de onde lhes convier. Ao trocar a sinceridade de pensamento e a exposição de ideias por imagens coloridas no Instagram, candidatos perdem seu limite geográfico. Não ganham, porém, real dimensão estadual ou nacional, como tantos políticos do passado ainda lembrados, pois se preocupam mais em garantir o bom emprego que um mandato confere do que, com esforço e inteligência, em melhorar o Estado e o País de quem os elege. *Jornalista, editor de Cidades