Jamais acredite em políticos que dizem pensar no agora, não nas eleições seguintes. A menos que vá deixar a vida pública, ele ou ela passa os dias a calcular possibilidades de vitória nas urnas. Vê a quem deve se aliar, fortalece sua base, investe em gestos que o mostrem como sucessor ideal do nome do momento e, para não ser invasivo nem parecer desagradável, faz declarações como esta, pela qual sua meta é o dia de hoje, nada mais. Nas cidades, uma estratégia de construção de imagem está nas honrarias que as câmaras municipais outorgam a personagens da política. Promover uma solenidade para entregar uma placa ou uma medalha a alguém que convive com gente do meio eleitoral não tem outra função além de lustrar a imagem do homenageado. Um dia, se vencer uma disputa, quem tem pretensão de ocupar cargo eletivo poderá se lembrar do autor da oferta, dos que a aprovaram e do entorno de todos estes. Santos está em uma situação política à parte da de outros municípios. O atual mandato do Executivo chegará à metade no final deste ano. De 2027 em diante, se intensificarão as articulações pessoais e partidárias — que já começaram, por mais que políticos neguem abertamente estar agindo assim — para definir qual será a melhor escolha política para o pleito de 2028. É quando o público decidirá quem substituirá o prefeito Rogério Santos, em sua segunda gestão e que não poderá pleitear outra. A questão especial foi o surgimento do câncer do qual Rogério está se tratando, cujo cuidado o faz ficar afastado do cargo, pelo menos, até 20 de agosto. A saída de cena temporária do prefeito proporcionou a ascensão de um nome cogitado desde 2024: o da prefeita em exercício Audrey Kleys. Ela, que é vice, decidiu não concorrer a deputada estadual, contrariando o que se cogitava. Fosse pré-candidata, não poderia assumir a Prefeitura seis meses antes da eleição de outubro. Esse caminho inesperado, por causa da moléstia, proporciona uma natural exposição pública para Audrey. Ela, naturalmente, não desejaria que sua gestão provisória se desse sob a circunstância de uma doença. Mas aconteceu, e está aberto um caminho para que a prefeita em exercício se apresente ao eleitorado e diga de que é capaz, sem ter de participar de uma eleição neste ano, talvez vencê-la e, aí, tornar-se deputada para mostrar serviços públicos que a destacassem para 2028. Outro possível pré-candidato à Prefeitura santista, e que também não o admite em público, é o secretário municipal de Governo, Fábio Ferraz. Foi para ele que o vereador governista Adriano Catapreta propôs a entrega da maior distinção concedida pela Câmara: a Medalha Braz Cubas. Sem querer, Catapreta queimou a largada por Ferraz, pois o projeto da homenagem recebeu menos votos do que o necessário na sessão de terça-feira, como relatou ontem a coluna Dia a Dia. Com articulação política, a pretendida homenagem a Ferraz será aprovada em agosto. Por enquanto, o recado do Legislativo é para que o secretário pense no agora para, quem sabe, chegar bem a 2028.