(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) As pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República confirmam que esta será, mais uma vez, uma eleição polarizada entre os que não querem a continuidade do governo atual e os que preferem reeleger esta gestão a entregar a administração ao grupo que estava no poder imediatamente antes. Sobre a incerteza do resultado das urnas, talvez a mais relevante delas é saber se haverá ou não um segundo turno. A resposta virá em 4 de outubro. Críticos da afirmação de que as eleições nacionais estão e serão novamente polarizadas alegam que o eleitorado brasileiro está ansioso por uma terceira via, que saia da concentração dos debates Lula vs. Bolsonaros (o ex-presidente, a ex-primeira-dama e os quatro filhos homens dele, todos na política). Mas os que se apresentam como caminhos são variações do mesmo tema, todos à direita e com discurso batido, com uma radicalização ou outra em temas como segurança e privatizações. De volta à questão de com quantos turnos se fará a próxima eleição presidencial, sempre se deve lembrar que o vencedor é quem consegue, no mínimo, metade mais um dos votos válidos. Os sufrágios nulos e em branco, direito do eleitor, não são considerados válidos e, por isso, não entram no cálculo da eleição dos candidatos. Se o vencedor tivesse um voto e todos os demais eleitores do País votassem nulo, ganharia o concorrente do voto solitário. Os outros, anulados, ficariam de fora. Retomando o assunto das pesquisas, é um clichê surrado o de que elas são um retrato do momento em que foram feitas. O levantamento Genial/Quaest divulgado na terça-feira indica, na sondagem estimulada — na qual se apresentam nomes de pré-candidatos aos entrevistados —, que o primeiro turno seria de 40% de intenções de voto para Lula e 41% para os outros mencionados. Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, haveria possibilidade de turno único. Mas essa é uma hipótese ainda distante e que está deixando em segundo plano o que deveria ser prioritário em campanhas eleitorais: as propostas dos futuros candidatos à Presidência e ao Governo Estadual para administrar o País e o Estado e as ideias dos que pretendem se tornar deputados estaduais, deputados federais e senadores para atender demandas da sociedade. Inclusive, aquelas nas quais cidadãos nem pensam, como o uso da inteligência artificial para o bem e para o mal. Afora pesquisas de opinião e o uso crescente de redes sociais para políticos se comunicarem com eleitores — muito mais do que eleitores falarem com políticos — e independentemente de quem ganhará a disputa, deveria ser motivo geral de preocupação o fato de que, no fundo, ninguém sabe o que pensam de verdade os pré-candidatos. Eles mostram o que lhes é conveniente e, nas últimas décadas, têm escondido seus pontos de vista, para dar a impressão de moderação, tanto à direita quanto à esquerda. É curioso que o eleitorado pareça ávido para ser enganado e pelo fim de um período que lhe parece chato: o do dever de construir seu futuro.