(Gerada por IA) Aviões surgiram para levar a humanidade a pontos distantes mais depressa; de aviões, lançaram-se as bombas atômicas que mataram centenas de milhares em Hiroshima e Nagasaki. A internet revolucionou as comunicações e permite o contato entre pessoas de qualquer parte; é por redes sociais e aplicativos de mensagens que se espalham mentiras e suposições sem fundamento que podem levar à morte. A culpa não é dos instrumentos, mas de quem os utiliza mal. Agora se vê a inteligência artificial, tão disseminada que já se reduz a uma sigla, IA, sem medo de que alguém não entenda o que significa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está às voltas com esse artifício, não tão novo, mas ainda em evolução e cada vez mais difícil de distinguir da realidade. E estará sempre atrasado porque, para cada regra, uma burla digital é criada. Aqui vai uma constatação que não depende tanto assim de IA (no caso, intelecto apurado): de jeito nenhum se pode esperar da classe política uma solução que limite o uso desse mecanismo. Ela se aproveita dele, quando não se deixa levar por ele. Não só para distorcer, enganar, mentir, caçar votos, mas sob a suposição de que, ao usar a inteligência artificial de forma engraçadinha, aderindo a uma ‘trend’ nova por semana, se aproximará do público. Se o eleitor, de modo geral, era tratado como um IA (incapaz de agir), agora é visto como alguém sujeito à IA (infantilização absoluta): desenhos criados mediante digitação de comandos, ilustrações de políticos feitas por computador e que os transformam em personagens de caixa de cereal matinal, animações de deputados em ambientes também artificiais e cercados por breves textos em tópicos, como se algo pouco mais profundo fosse incompreensível. Quem se lembra da propaganda partidária em períodos eleitorais do final da década de 1980, quando votar para presidente era uma novidade longamente esperada e os partidos políticos eram realmente ideológicos — tinham ideias e as expressavam de forma clara, quase sem disfarces —, é levado a pensar que o cenário eleitoral e as oposições brasileiras caíram em IA (imbecilização absoluta). Há cidades que, a despeito de seus velhos e graves problemas, têm governos sem oposição formal e que se limita a espasmos no Instagram ou no WhatsApp. Esses opositores dispõem de poucos milhares de seguidores e estão pulverizados. Mesmo diante de farto material para críticas e para dizer como seriam capazes de fazer algo diferente, optam pela IA (ignorância abissal) e brincam porcamente de Estúdios Disney, transformando prefeitos em desenhos animados ridículos. Desde que a televisão, no século passado, se transformou em objeto acessível a quase todos e no mundo inteiro, teóricos insistem em que o público é aquilo que se oferece a ele. Quando se trocam falar seriamente e refletir por poucos minutos por uma eterna brincadeira de símbolos, chega-se a um ponto de IA (impassividade ampla). Mas é reversível: lendo, conversando, debatendo. Pensar tem de ser IA (inaceitável abdicar).