(Abdias Pinheiro/Secom/TSE) As eleições municipais são uma oportunidade para que candidatos a prefeituras assumam um compromisso que ultrapassa os limites geográficos de cada cidade: tomar as rédeas da metropolização ou, pelo menos, ter parte mais ativa nesse processo, trabalhando a Baixada Santista como uma região com problemas coletivos que demandam soluções integradas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Pelo menos no discurso, concorrentes ao Executivo lembram que assuntos comuns — emprego, saúde, trânsito, transporte, educação universitária — permeiam duas ou mais cidades. Até a natureza entra na roda. O nevoeiro entre Santos e Guarujá isola essas cidades e fecha o canal do Porto. Prefeitos dessas cidades, se unidos, teriam mais força para pedir a aceleração do túnel submerso. Ainda que a Baixada seja composta por nove cidades que, na teoria, têm peso semelhante no Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana (Condesb), há municípios com peso político compreensivelmente maior. Em termos históricos, Santos e sua riqueza econômica lastreada na atividade portuária se põem à frente das demais. Mas, aos poucos, o crescimento populacional e a diversificação de horizontes na vizinhança podem reduzir a intensidade da hegemonia santista. O principal contraponto está em Praia Grande, cidade cuja população é a que mais se amplia na região, tanto em termos absolutos quanto proporcionais. Projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que, entre o Censo 2022 e meados deste ano, a Cidade ganhou 15.642 moradores, com alta de 4,47% no período. O Município vive uma profusão de empreendimentos imobiliários. Para onde quer que se olhe, surgem prédios altos e largos. A expansão econômica é visível: atraem-se novos residentes, mais negócios, maior arrecadação de impostos. Esse conjunto eleva a influência política de uma cidade. Praia Grande já é uma espécie de ‘capital’ do Litoral Sul, e os dois municípios que lhe são mais próximos, Mongaguá e Itanhaém, também estão entre os que veem sua população subir com velocidade acima da média regional. Para conduzir a metropolização com seriedade, os governantes eleitos neste ano e que tomarão posse em janeiro deverão se afastar de vaidades pessoais e políticas. Não poderá haver em Santos a empáfia de considerar que antiguidade é posto e que certas tradições devem ser imutáveis. Em Praia Grande, se deve conter a sede em ir ao pote, que consistiria na tentativa de apressar as consequências de um fato que talvez se consolide antes de 2040: tornar-se a cidade mais habitada da Baixada e, portanto, com maior número de pessoas com demandas a atender. As demais prefeituras deverão reconhecer que coexistirão duas forças políticas proeminentes. Não podem, no entanto, assumir papéis submissos e abandonar a regionalização e suas discussões, pois continuarão a ser afetadas por ela. Se a metropolização for encarada com mais vontade, que se evite um racha político entre Santos e Praia Grande. Caso se descuide, a Baixada continuará a perder para outras regiões paulistas possíveis investimentos, novos empregos e futuro.