(Adobe Stock) Sempre que alguém me pergunta qual é o destino de neve mais fácil para um brasileiro, minha resposta é imediata: o Chile. Não é a paisagem mais espetacular do mundo, nem a estação mais sofisticada — isso os Alpes europeus ainda fazem melhor. Mas nenhum outro lugar une tanta praticidade a uma experiência de neve genuína quanto a Cordilheira dos Andes, a poucos minutos de Santiago. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O inverno chileno começa em junho e vai até setembro, com o período de meados de julho a início de agosto sendo o mais seguro para quem quer garantir neve farta e todas as estações em pleno funcionamento. Não à toa, julho — mês de férias escolares no Brasil — também é alta temporada por lá: as pistas ficam cheias, os preços sobem, e vale reservar com antecedência tanto hospedagem quanto passeios. A região concentra cinco estações de esqui a menos de duas horas de Santiago, cada uma com um perfil bem definido. Valle Nevado é a maior e mais moderna da América do Sul, a 3.025 metros de altitude, com cerca de 9 mil hectares de área esquiável e estrutura de padrão internacional — a queridinha dos brasileiros, com pistas para todos os níveis e uma vida noturna que não fica devendo a nenhuma estação europeia. El Colorado, mais acessível e a apenas 40 quilômetros da capital, agrada tanto iniciantes quanto esquiadores experientes, com mais de 100 pistas e boa relação custo-benefício. Já La Parva tem um clima mais tranquilo, é preferida pelos próprios chilenos e conta com pistas técnicas para quem já tem experiência. Para quem viaja com crianças ou só quer ter contato com a neve pela primeira vez, sem necessariamente esquiar, o Parque Farellones funciona como um parque de diversões branco, com tirolesa, trenó e patinação sobre gelo. Mas se há uma estação que carrega história e simbolismo, essa é Portillo. Localizada a cerca de 160 quilômetros de Santiago, na fronteira com a Argentina, é a mais antiga estação de esqui da América do Sul e um dos points de treinamento de seleções olímpicas fora de temporada. O acesso já é parte da experiência: a subida pela Cuesta Los Caracoles, com suas curvas fechadas sobre precipícios cobertos de neve, é de tirar o fôlego. Lá no alto, o icônico hotel amarelo à beira da Laguna del Inca — com suas águas azul-turquesa emolduradas por montanhas nevadas — forma um dos cartões-postais mais bonitos do Chile, mesmo para quem não pretende calçar um esqui. Vale um alerta a quem nunca subiu essas estradas: a via que leva a Farellones, El Colorado, La Parva e Valle Nevado tem 40 curvas fechadas em zigue-zague, e o uso de correntes nos pneus costuma ser obrigatório em dias de neve. Por isso, a maioria dos brasileiros opta por passeios em vans saindo de Santiago, com motorista experiente e parada em lojas de aluguel de roupas de neve pelo caminho — uma alternativa bem mais tranquila do que dirigir por conta própria. Quem se preocupa com o mal de altitude também deve ficar atento: Valle Nevado e Portillo ultrapassam os 3.000 metros, e o recomendável é beber bastante água, evitar álcool no primeiro dia e subir aos poucos. Outro detalhe que costuma pegar os desavisados: mesmo no frio intenso, a reverberação do sol na neve queima a pele rapidamente, então protetor solar é item obrigatório na mochila. No fim das contas, o Chile entrega o que promete: neve de verdade, paisagem andina de encher os olhos e a comodidade de estar a poucas horas de voo do Brasil. Não é preciso ser esquiador experiente, nem falar espanhol fluente, para aproveitar — basta estar disposto a enfrentar o frio e se deixar levar pela vista da Cordilheira. Para quem sonha com a neve, mas ainda não teve coragem de encarar uma viagem mais longa e cara à Europa ou à América do Norte, o Chile é, sem dúvida, o começo perfeito.