Wistler (Adobe Stock) Depois de alguns dias conhecendo Banff, iniciei uma viagem de aproximadamente 700 quilômetros até a pequena cidade de Whistler. A estrada que liga essas duas cidades canadenses é, sem dúvida, uma das mais bonitas que já percorri. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao longo do trajeto, a paisagem muda constantemente. Montanhas imponentes, rios de águas cristalinas, lagos, florestas de coníferas e pequenos vilarejos acompanham praticamente toda a viagem. É impossível fazer esse percurso com pressa. A cada poucos quilômetros surge um novo mirante, um lago ou um cenário que “obriga” a estacionar o carro por alguns minutos apenas para admirar a natureza. O Canadá impressiona justamente por conseguir preservar toda essa riqueza natural sem abrir mão de uma excelente infraestrutura. As rodovias são impecáveis, a sinalização é eficiente e existem diversos pontos de parada que permitem ao viajante aproveitar cada trecho da viagem com tranquilidade. Detalhe: não há um único pedágio no percurso. Uma das primeiras atrações que visitei no caminho foi a Golden Skybridge, próxima à cidade de Golden. O complexo abriga duas enormes pontes suspensas sobre um cânion, proporcionando uma vista privilegiada das montanhas, das cachoeiras e da floresta ao redor. Para quem gosta de adrenalina, há atividades como tirolesa e balanço gigante. Para mim, entretanto, o grande espetáculo foi mesmo a paisagem. A sensação de caminhar entre as montanhas ajuda a compreender a dimensão da natureza canadense. Seguindo viagem, outra parada praticamente obrigatória é Revelstoke. A pequena cidade preserva o clima acolhedor típico do interior da Colúmbia Britânica e serve como base para um dos mais conhecidos resorts de montanha do país. O Revelstoke Mountain Resort é famoso durante o inverno por possuir um dos maiores desníveis para esqui da América do Norte. No verão, porém, revela um cenário completamente diferente. Os teleféricos continuam funcionando e levam os visitantes ao alto da montanha, onde trilhas, mirantes e restaurantes panorâmicos permitem contemplar uma sucessão de picos e vales que parecem não ter fim. Foi justamente ali que percebi uma característica marcante do turismo canadense. As montanhas não vivem apenas da temporada de neve. Durante o verão, elas se transformam em grandes áreas de lazer, caminhadas e contemplação, mantendo hotéis, restaurantes e atrações em pleno funcionamento. Outro detalhe que chama atenção durante todo o percurso é a preocupação com a preservação ambiental. Em diversos trechos existem passagens construídas exclusivamente para a travessia da fauna silvestre, permitindo que ursos, alces, cervos e outros animais cruzem as rodovias em segurança. É um exemplo de como desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos. A chegada a Whistler mantém o alto nível da viagem. Conhecida mundialmente por sediar, ao lado de Vancouver, os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, a cidade se consolidou como um dos principais destinos de montanha do mundo. Embora seja internacionalmente reconhecida pelas pistas de esqui, durante o verão Whistler revela outra vocação. Trilhas, ciclovias, lagos, teleféricos e atividades ao ar livre atraem visitantes de todas as idades. O centro da cidade é bastante agradável, com ruas exclusivas para pedestres, hotéis, cafés, restaurantes e lojas. Dali parte uma das atrações mais impressionantes da região: o Peak 2 Peak Gondola, teleférico que liga duas montanhas por meio de um vão de mais de três quilômetros, proporcionando uma vista espetacular das florestas e dos vales abaixo. Ao final da viagem, pude constatar que a estrada é parte essencial da experiência. Cada parada acrescenta uma nova paisagem, uma nova atração e uma nova oportunidade de entender por que o oeste canadense está entre os destinos de natureza mais impressionantes do planeta. Para quem pretende conhecer as montanhas rochosas, minha recomendação é simples: reserve alguns dias para fazer esse percurso sem pressa. Você descobrirá que, em alguns lugares do mundo, a viagem pode ser tão inesquecível quanto o destino final.