Cidade no sul do México é famosa por homenagem aos antepassados (Adobe Stock) Todos os anos, entre o final de outubro e o início de novembro, uma cidade no sul do México se transforma em um dos cenários culturais mais fascinantes do mundo. Ruas decoradas com flores, altares iluminados por velas, música, desfiles e famílias reunidas para homenagear seus antepassados fazem de Oaxaca um dos lugares mais especiais para conhecer o Dia dos Mortos, uma tradição que revela muito sobre a identidade mexicana. Diferentemente da maneira como a morte costuma ser tratada em outras culturas, no México ela também representa memória, reencontro e celebração. Acredita-se, segundo as tradições populares, que durante esses dias as almas dos falecidos retornam para visitar seus familiares. Para recebê-las, são preparados altares com fotografias, comidas favoritas, bebidas, velas e flores de cempasúchil, conhecidas por sua intensa coloração alaranjada. A celebração, que reúne elementos das tradições indígenas e do catolicismo, foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Embora aconteça em diferentes regiões do México, Oaxaca ganhou destaque pela maneira como preserva seus costumes e envolve comunidades inteiras nas festividades. A cidade serviu de inspiração para o filme Viva - A Vida é uma Festa, da Pixar/Disney, que aborda esse tema. Oaxaca fica no sul do México (Adobe Stock) Na capital do estado, também chamada Oaxaca, o centro histórico se transforma. Praças, igrejas e edifícios coloniais recebem decorações, enquanto moradores e visitantes participam de apresentações culturais, cortejos e das tradicionais comparsas, desfiles acompanhados por bandas musicais e personagens fantasiados. Um dos momentos mais marcantes acontece nos cemitérios, onde famílias se reúnem para limpar e decorar os túmulos, acender velas, compartilhar alimentos e recordar aqueles que partiram. Mais do que uma atração turística, trata-se de uma manifestação profundamente familiar e espiritual, que exige respeito por parte dos visitantes. Mas Oaxaca merece atenção durante todo o ano. Fundada pelos espanhóis no século 16, a cidade preserva um dos conjuntos arquitetônicos mais interessantes do México. Seu centro histórico, reconhecido pela Unesco, reúne construções coloniais, ruas de pedra, mercados e igrejas monumentais. Entre elas destaca-se o Templo de Santo Domingo de Guzmán, uma das mais belas expressões da arquitetura barroca mexicana. A região também guarda importantes vestígios das civilizações que ocuparam o território antes da chegada dos europeus. A poucos quilômetros da cidade está Monte Albán, antiga capital construída no alto de uma montanha. Suas pirâmides, plataformas cerimoniais e praças revelam a complexidade de uma sociedade que floresceu por muitos séculos. Outro aspecto fundamental da identidade local é a gastronomia. Oaxaca é considerada uma das capitais culinárias do México, conhecida especialmente pelos diferentes tipos de mole, molhos elaborados com combinações de pimentas, especiarias e outros ingredientes. As tlayudas, grandes tortillas crocantes servidas com feijão, queijo e carnes, também fazem parte da culinária regional. Nos mercados tradicionais, a experiência gastronômica se mistura ao cotidiano da população. Bancas oferecem chocolates, queijos, pimentas, frutas e produtos artesanais. É também uma oportunidade para conhecer o mezcal, bebida destilada do agave cuja produção está profundamente ligada à economia e à cultura do estado. Apesar da crescente popularidade, Oaxaca mantém uma identidade muito própria. Sua riqueza está justamente na convivência entre o passado indígena, a herança colonial e as manifestações culturais que continuam presentes no dia a dia. Para quem pretende conhecer a cidade durante o Dia dos Mortos, o planejamento deve começar com antecedência. A procura por hotéis aumenta consideravelmente, e as celebrações mais tradicionais nem sempre acontecem nos locais mais divulgados aos turistas. Vale também reservar tempo para explorar os povoados vizinhos, onde muitos costumes permanecem ligados à vida comunitária.