Durante décadas, a Albânia permaneceu praticamente fora dos roteiros turísticos europeus. Isolado politicamente durante boa parte do século 20, o país vive hoje uma transformação que vem despertando a atenção de viajantes de diferentes partes do mundo. Com praias de águas cristalinas, cidades históricas, montanhas e preços geralmente mais acessíveis que os de seus vizinhos mediterrâneos, a Albânia começa a conquistar um espaço que até pouco tempo parecia reservado à Grécia, à Croácia e à Itália. Localizada na Península Balcânica, entre Montenegro, Kosovo, Macedônia do Norte e Grécia, a Albânia possui uma costa banhada pelos mares Adriático e Jônico. É justamente no litoral que se encontra uma de suas regiões mais procuradas: a Riviera Albanesa. Entre as cidades de Vlorë e Sarandë, uma sequência de praias, pequenas vilas e estradas panorâmicas revela um Mediterrâneo que ainda preserva características de décadas passadas. Destinos como Himarë, Dhërmi e Ksamil ganharam popularidade pelas águas transparentes e pelas paisagens cercadas de montanhas. No entanto, o crescimento acelerado do turismo já começa a trazer desafios, especialmente durante os meses de julho e agosto, quando algumas praias ficam bastante movimentadas. Mas reduzir a Albânia às suas praias seria ignorar uma das partes mais interessantes do país: sua história. Durante quase cinco séculos, o território esteve sob domínio do Império Otomano, influência que permanece evidente na arquitetura, na gastronomia e em diversas tradições. Cidades como Berat e Gjirokastër, reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Mundial, preservam conjuntos históricos de extraordinário valor. Berat é conhecida como a cidade das mil janelas, graças às casas brancas construídas nas encostas, com grandes janelas voltadas para o vale. Suas ruas de pedra, igrejas, mesquitas e um castelo ainda habitado fazem dela um dos lugares mais interessantes para compreender a história albanesa. Gjirokastër, por sua vez, impressiona pelas construções de pedra e por sua imponente fortaleza. É também a cidade natal de Enver Hoxha, o ditador que governou a Albânia por mais de quatro décadas e transformou o país em um dos regimes mais fechados da Europa. Esse passado recente ajuda a explicar uma das maiores curiosidades encontradas durante uma viagem pelo país: os milhares de bunkers de concreto espalhados por cidades, montanhas e áreas rurais. Construídos durante a ditadura, como parte de uma política de defesa contra possíveis invasões, tornaram-se símbolos de um período de isolamento. Alguns foram transformados em museus e espaços culturais. A capital, Tirana, representa justamente o contraste entre esse passado e a nova Albânia. Antigos edifícios ganharam cores, bairros foram revitalizados e cafés, restaurantes e espaços culturais passaram a ocupar uma cidade cada vez mais dinâmica. A Praça Skanderbeg, principal referência urbana da capital, reúne monumentos e construções que ajudam a contar diferentes capítulos da história nacional. Para quem prefere natureza, o norte do país reserva outra surpresa. Nos Alpes Albaneses, especialmente nas regiões de Theth e Valbona, montanhas imponentes, rios transparentes e pequenas comunidades rurais oferecem algumas das mais belas paisagens dos Bálcãs. Trilhas que conectam os vilarejos atraem visitantes interessados em caminhadas e experiências longe dos grandes centros turísticos. A gastronomia também merece atenção. Influenciada pelas cozinhas mediterrânea, otomana e balcânica, combina carnes grelhadas, queijos, legumes, azeite e receitas tradicionais como o byrek, uma massa folhada recheada, e o tavë kosi, preparado com cordeiro, arroz e iogurte. Embora o turismo esteja crescendo rapidamente, a Albânia ainda exige algum planejamento. A infraestrutura varia bastante entre as regiões, e as estradas de montanha podem tornar os deslocamentos mais demorados do que as distâncias sugerem. A primavera e o início do outono costumam oferecer boas condições para explorar o país, com temperaturas agradáveis e menor concentração de visitantes. Para o viajante brasileiro que já conhece os destinos clássicos da Europa e procura novas experiências, a Albânia surge como uma alternativa interessante. *Guia de turismo internacional, empresário e advogado pedro@braunturismo.com.br