[[legacy_image_271997]] Escrevi em outras oportunidades a respeito da importância da docência em minha vida e quão fundamental essa atividade se mostrou para forjar não só a minha carreira profissional na advocacia criminal, como também no exercício do meu papel enquanto ser humano nesta tão complexa engrenagem social em que vivemos. Parece, e é mesmo, lugar comum o que direi, mas a tarefa de ensinar nos proporciona conhecimento e motivação muito maiores do que efetivamente conseguimos transmitir. Essas reflexões voltam sempre em minha mente, especialmente nesta época do ano. Estamos na fase das “provas semestrais” na faculdade e é o momento de avaliar o conteúdo que foi auferido pelos alunos. Não podemos ignorar o clima de tensão que se instala, afinal, é a oportunidade de se ver demonstrado o progresso daqueles que orientamos, bem como, verificar quais pontos precisarão ser aprimorados para um desempenho ainda melhor no próximo período. E nós professores estamos sempre atentos em busca do avanço dos nossos alunos. Apesar de toda essa dinâmica avaliativa, digo aos meus alunos que a oportunidade de falhar, errar e buscar consertar é agora. É essencial que entendam que é durante o curso que poderão arriscar e encontrar os seus limites de desempenho, pois contam com o apoio incondicional da instituição formadora, dos professores e dos colegas de estudos. Não podemos considerar ser menos do que excelentes naquilo que nos dispusermos a fazer e essa decisão, evidentemente, abre uma janela maior para que eventuais erros surjam. E está tudo bem. Refletindo a respeito, me vem à mente um dos meus filmes preferidos chamado “Wall Street – Poder e Cobiça”, de 1987, protagonizado pelo premiado ator Michael Douglas e dirigido pelo não menos brilhante Oliver Stone. Sem medo de cometer nenhum spoiler, afinal, lá se vão mais de 30 anos do lançamento do filme, reporto-me a uma frase do personagem principal, Gordon Gekko, que em determinado momento da trama afirma: “A ganância é boa”. Confesso que quando assisti o filme pela primeira vez (já assisti várias vezes) não compreendi a impactante e importante mensagem contida na cena. Com o passar do tempo e experiência, não obstante o aspecto negativo contido na frase em si, entendi perfeitamente o sentido daquela expressão, bem como ressignifiquei o termo a ponto de transformá-lo em algo positivo. A ganância é algo muito bom, desde que revestida de ética, princípios e valores. Temos que ser os melhores naquilo que nos dispusermos a fazer. Melhores profissionais, pais, filhos, amigos. O que pudermos ser! E isso não é errado. Buscarmos aquilo que há de melhor no mundo em termos materiais, igualmente, é legítimo. A ganância, revista dos valores acima elencados, funciona como combustível para que enfrentemos as dificuldades com vontade extra. A ambição, que anda de mãos dadas com o objeto da presente reflexão, permite que nós obtenhamos aquilo que muitas pessoas consideram impossível e que, consequentemente, vençamos os obstáculos apresentados. É fundamental que entendamos que não é errado querer ser o número um. A incansável busca pela excelência é a chave para a realização dos nossos sonhos. Acreditarmos que podemos ser os melhores aciona um dispositivo em nossos corações que possibilita com que façamos as atividades com uma disciplina tal que os resultados saltam aos olhos. Temos que estar alertas às pessoas que querem nos fazer crer que algo não é possível e, dentro das possibilidades, apartá-las de nosso convívio. A semana de provas não está posta apenas para os alunos em final de semestre. Todos nós, todos os dias, passamos por uma “prova” onde somos avaliados, testados e confrontados pela vida. E é através dessa dura avaliação que nossos sonhos e desejos tomarão seus rumos, onde serão concretizados ou não. Vamos tirar dez nessa prova?