[[legacy_image_214495]] Nesta semana comemoramos mais um Dia das Crianças! Família, amigos e brincadeiras são os ingredientes principais desse momento tão especial, pois ser criança em sua plenitude é uma oportunidade que deve ser garantida a todas as pessoas. Viajo no tempo pensando que quando criança a minha única preocupação era brincar e ser feliz. Tive uma infância maravilhosa, mas como filho único, quando não estava na escola com os amigos ou primos, não tinha companhia para brincar e contava apenas com os meus brinquedos e com a minha imaginação. Essa circunstância me fez dar valor para muitas coisas, por vezes, ignoradas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Somos de uma geração na qual os pais e as mães precisaram, simultaneamente, se lançar ao mercado de trabalho para prover o sustento da família, o que contribuiu para que ficássemos sozinhos ou aos cuidados de terceiros quando não estávamos na escola. Futebol, filmes, vídeo games, programas de televisão e livros preenchiam o nosso tempo quando de suas justificadas ausências. Apesar disso, não senti enquanto criança a vontade de ter irmãos. Meus pais afirmaram que jamais pedi por isso e acabei por dar conta da importância dessa figura depois de adulto. Confesso que atualmente gostaria de viver essa experiência, portanto, aqueles que contam com essa presença em suas vidas, por mais chatos que eles sejam, aproveitem! Passando para a vida adulta e deixadas de lado as coisas de criança, essa data deixou de ter um significado na minha vida até a chegada da minha filha Laura. Percebo claramente que conto com duas percepções de mundo: uma antes e outra depois do seu nascimento. Imaginava que quando tivesse uma filha ensinaria o pouco que sei. Ledo engano, pois é ela que me ensina com cada sorriso, cada beijo, cada gesto de carinho e enche o meu coração de amor há sete anos. Ela é, sem dúvida, a minha melhor amiga e fez com que eu redescobrisse a alegria de viver o Dia das Crianças, agora, ao seu lado. Quando olho para minha pequena e vejo sua luz e felicidade de criança, lembro daquele menino de sete anos que fui e, filho único como ela, gostaria em muitos momentos de ter com quem brincar. Pensando a respeito desse assunto e, talvez, buscando reescrever esse trecho da história, com ela no colo eu disse numa conversa recentemente: “Gostaria de ter sido criança ao mesmo tempo que você, ter compartilhado esse instante e podido sorrir contigo, não com a visão de um adulto, mas com os olhos de uma criança. Ela me respondeu: “Vamos brincar para sempre, papai”. Com os olhos cheio de lágrimas fui brincar mais uma vez. Num mundo com tantos desafios e adversidades, tanto rancor e desprendimento, precisamos olhar mais para as crianças e pelas crianças. Procuro fazer desse dia apenas mais um dia especial, pois estou todos os dias ao lado do amor da minha vida. Nada é mais importante do que isso e sei que para a maioria dos pais a sensação é a mesma, entretanto, os contratempos silenciosos nos tiram esses momentos sem que ao menos percebamos. Os compromissos do dia a dia nos tiram a capacidade de enxergar que o tempo passa muito rápido e as crianças de hoje darão espaço aos adultos de amanhã. Hoje entendo que aquela singela percepção de solidão na infância em contraponto ao amor incondicional dos meus pais e a atenção que dispensaram para a formação do meu caráter permitiram que eu entendesse que não podemos adiar um momento sequer de felicidade. É essencial que nos dediquemos e estejamos ao lado das pessoas que amamos. Nada fará o tempo da minha filha voltar atrás para que estejamos juntos e, já que é assim, que ela seja sempre a minha prioridade. Não posso fazer com que tenhamos a mesma idade, mas posso voltar a ser criança e brincar com ela enquanto eu viver. Vamos brincar para sempre, filha.