[[legacy_image_255721]] Nos últimos dias tenho me dado conta de que ando muito pensativo e até saudosista. Abordei a questão do tempo e de como encaramos a sua passagem em outras colunas, aqueles que me acompanham sabem que se trata de um tema que toca fundo o meu coração, e reflito sobre ele frequentemente. Escrevi, inclusive, a respeito da quantidade de dias que em média uma pessoa vive e que já havia usufruído de parte significativa deles. Aproveitei na oportunidade e convoquei a mim mesmo e a todos os leitores a agir e pensar de forma a dar um emprego benéfico a esse tempo tão valioso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Passando a partir da agora a refletir com a atenção voltada para o passado e não para o futuro como nos textos anteriores, me peguei pensando nos encontros e desencontros a que fui submetido durante a vida. Com os meus amigos do Colégio Santista, passando pela Faculdade de Católica de Direito, até com relação aos colegas de trabalho e familiares, vivi essa verdadeira roda gigante de abraços, beijos, chegadas e despedidas a ponto de o coração não aguentar mais. Não é fácil constatar que não só o tempo está passando, como também os momentos que vivemos hoje podem ser os últimos ao lado das pessoas especiais que encontramos pelo caminho. Confesso que se trata de uma visão um tanto quanto triste da nossa existência, mas isso não a torna menos verdadeira. Deixamos de perceber, mas as despedidas acontecem desde sempre e somos obrigados a procurar saídas para que isso ocorra da maneira menos dolorosa possível. Quantos de nós não mais temos contato com aqueles amigos queridos da infância? Aqueles amigos inseparáveis da adolescência com os quais perdemos o convívio? Colegas de trabalho e jornada profissional que em razão do destino foram atracar seus barcos em portos distantes? O destino, traiçoeiro, faz esse movimento furtivamente e notar isso não é fácil. É fundamental que estejamos atentos para aproveitarmos ao máximo as oportunidades a nós concedidas. Quando não estamos diante do cenário acima, colocamo-nos em uma condição ainda pior. A manutenção dessas relações pelo meio virtual. Tenho amigos que estão nas minhas redes sociais, mas pessoalmente não os vejo há mais de dez anos. Isso é inadmissível! Como foi possível aceitar isso? Essas ferramentas nos lançam uma nuvem de fumaça que nos dá a falsa percepção de presença e nos permitimos enganar. Infelizmente, são apenas perfis virtuais que representam um singelo recorte da nossa existência, incapazes de refletir a nossa essência e sentimentos. Temos que dissipar essa ideia irreal e vivenciarmos esses amores plenamente, não apenas através de aparelhos eletrônicos. Os encontros e desencontros são uma realidade que enfrentamos enquanto seres humanos. Nas diversas paragens da vida, atravessando a infância até a vida adulta, muitas pessoas passam pela nossa existência deixando saudade, além de um vazio e silêncio ensurdecedores. Até mesmo as pessoas que não nos fizeram bem deixaram o legado do perdão e da incessante busca pela reforma íntima. Entender que esse movimento é importante para o nosso desenvolvimento é difícil, pois geralmente somos apegados às mais diversas situações e queremos que as coisas funcionem da maneira que entendemos devida. Precisamos aprender a lidar com as perdas impostas pela vida.