[[legacy_image_254179]] Na última semana um vídeo viralizou na internet no qual três universitárias debochavam de uma colega de classe chamada Patrícia Linares, de 45 anos, em razão de sua idade. As imagens contidas na publicação são lamentáveis e tem início com uma das jovens perguntando como fazer para “desmatricular” a vítima. A segunda estudante respondeu “Ela tem 40 anos já” enquanto a terceira aluna surge dizendo: “Gente, 40 anos não pode mais fazer faculdade”, num ato de evidente e constrangedora ironia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Confesso que as imagens me tocaram profundamente. Toda e qualquer discriminação, por si só, há de ser combatida. Entretanto, este evento, por acontecer dentro de um espaço do qual participo e deposito uma parte especial da minha da minha vida, que é o meio acadêmico, me entristeceu. Considero que o ambiente educacional é o lugar mais democrático e especial que alguém pode pertencer e constatar que existem situações como essas é algo que penso ser inaceitável e que exige imediata reprimenda. Discriminar alguém em razão da idade, numa evidente atitude voltada para o etarismo ou velhofobia, é crime, pois trata-se de uma conduta que ofende a honra subjetiva, especialmente, a autoestima da vítima. Ainda mais quando está presente o dolo específico em constranger alguém em face de seu estágio de vida, o que me pareceu claro através das imagens colhidas. Desta maneira configura-se em tese o crime de injúria, que corresponde a uma das modalidades de crime contra a honra previstos na legislação penal brasileira. Além dos aspectos legais mencionados, os prejuízos emocionais causados as vítimas dessas condutas são desastrosos. Tristeza, baixa autoestima, sentimentos de invalidez, sem contar ansiedade e depressão que podem ocorrer dependendo como a vítima internaliza a ofensa. Vale lembrar que se trata de um preconceito que não parte exclusivamente de condutas individuais, podendo partir, inclusive, de políticas e práticas institucionais que promovem a discriminação etária. Precisamos estar atentos e combater essas condutas diariamente, pois muitas vezes estas ocorrem de forma discreta e quase imperceptível. É fundamental que entendamos que a vida não funciona como um roteiro de filme. Não podemos esquecer que “começo, meio e fim” acontece apenas no mundo dos sonhos que tanto nos encanta no cinema, teatro, internet ou na televisão. No mundo de verdade, não existe idade para que as coisas aconteçam e, portanto, cada pessoa tem a sua história. A preocupação se dá, quando presenciamos eventos como esse, em perceber que pessoas que contam com idade acima dos 40 anos poderão desistir de realizar os seus objetivos por acreditarem que não contam com o mesmo valor de um jovem. E pior, imaginar que poderão se ver confrontados pelo mesmo preconceito, discriminação e injúrias perpetrados por essas três alunas em face da vítima. Diante desse estado de coisas é fundamental que entendamos que a postura dessas alunas é exceção e não regra. A amizade, o companheirismo e o auxílio mútuo são a tônica na relação entre discentes e docentes no ambiente universitário. Não são todas as pessoas que contam com o privilégio de estudar enquanto jovens em razão de inúmeras responsabilidades que a vida impõe, como cuidar da família ou trabalhar para sobreviver e, só depois de algum tempo, conseguem retomar as atividades acadêmicas. Essas pessoas precisam ser incentivas e protegidas para fazerem as suas escolhas, não vítimas de crimes. Não existe idade para realização dos sonhos!