(Divulgação) Desde muito antes de me formar em Direito, eu já sabia o que queria ser: professor de Direito Penal na Universidade Católica de Santos. Era um sonho que me acompanhava quando ainda estava nos bancos da faculdade, sem que eu soubesse exatamente quanto tempo levaria para realizá-lo ou quantos caminhos precisaria percorrer até chegar à sala de aula. Um dos responsáveis por essa trajetória foi o Procurador de Justiça Claudionor Mendonça dos Santos. Figura fundamental na minha formação e na construção da minha carreira acadêmica, foi ele quem me aconselhou a começar pelo ensino de Filosofia na rede pública, antes de assumir uma cadeira de Direito Penal na Católica. O conselho fazia sentido: era preciso aprender a ensinar antes de ocupar o lugar que eu tanto desejava. Já formado, segui a orientação. Lecionei Filosofia na rede pública e, depois, passei a dar aulas em renomados cursinhos preparatórios para concursos públicos. Cada experiência me ensinou alguma coisa. Aprendi a lidar com diferentes públicos, a reconhecer as dificuldades de quem está começando e, sobretudo, a compreender que dominar um assunto não significa, necessariamente, saber transmiti-lo. Aos 32 anos, assumi a cadeira de Direito Penal na Católica de Santos. Era um dos mais jovens professores a ocupar aquele posto. Lembro-me da importância daquele momento, não apenas pela conquista profissional, mas porque, de alguma maneira, eu chegava ao lugar que havia imaginado tantos anos antes. Tenho orgulho dessa história. Confesso que, desde então, vivo a realização de um sonho. Às vezes, os alunos me perguntam até quando pretendo lecionar. Minha resposta é simples: até quando me permitirem. A sala de aula deixou de ser uma atividade complementar à advocacia criminal. Tornou-se parte essencial da minha vida, não apenas como profissional, mas como ser humano. Entro para ensinar e, com frequência, saio com uma pergunta nova, uma ideia que merece ser revista ou a certeza de que ainda tenho muito a aprender. Não sou um professor perfeito. Erro, como todos nós. Entretanto tenho uma convicção que me acompanha há anos: não acredito que algum aluno que tenha passado por minhas aulas possa dizer que me faltou vontade de ensinar. Brigo, discuto, repito, volto ao começo e procuro outro caminho. Insisto até onde posso, até perceber que o conteúdo foi compreendido. E, quando isso não acontece, a pergunta que me faço não é apenas se o aluno aprendeu, mas se encontrei a melhor maneira de explicar. Nem sempre consigo. A condição humana não nos permite acertar sempre. o compromisso, porém, precisa permanecer. Tantos professores passaram pela minha vida que seria impossível enumerá-los sem correr o risco de esquecer alguém. Alguns me ensinaram pelo conhecimento; outros, pela postura, pela generosidade ou pela maneira como enfrentavam as dificuldades. Muitos me transformaram sem sequer saber. Hoje, quando estou diante dos meus alunos, procuro levar adiante um pouco de tudo aquilo que recebi. Faço isso com amor e com a esperança de que o ensino continue abrindo caminhos, formando consciências e contribuindo para um futuro melhor. É essa a maior responsabilidade de quem ensina: compreender que uma aula nunca termina quando o professor deixa a sala. Uma explicação pode acompanhar alguém por anos. Uma palavra de incentivo pode mudar uma escolha. Um exemplo pode despertar uma vocação. O professor não decide o destino de seus alunos, mas participa da formação das pessoas que eles se tornarão. E isso é muito mais do que transmitir conteúdo. No dia 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. A data já passou, mas a gratidão não depende do calendário. Aos que fizeram parte da minha história e aos que seguem ensinando, mesmo diante das dificuldades, deixo meu reconhecimento e meu abraço. Conhecemos o futuro através dos nossos professores, e cada um deixa algo de si naqueles que ajuda a formar. Que nunca nos faltem mestres dispostos a ensinar, alunos dispostos a aprender e a esperança de que o conhecimento torne o mundo melhor. Feliz Dia dos Professores!