[[legacy_image_204084]] Nos últimos tempos, o que não nos tem faltado são assuntos polêmicos. Seja tratando de questões internacionais ou mesmo questões domésticas, vivemos um momento absolutamente desafiador e exigente. Precisamos estar atentos às questões econômicas, políticas, jurídicas, sociais e espirituais, ou seja, não podemos sequer “piscar” os olhos sob pena de ficarmos para trás e perdermos oportunidades raras neste mundo tão competitivo. Para alguém que se dispõe a escrever uma coluna semanal, isso é ótimo, pois possibilita a abordagem de uma infinidade de temas interessantes e atuais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nesta última semana não foi diferente. Muitos assuntos palpitaram no noticiário e, como sempre, separei alguns temas importantes, em especial, versando sobre política e atinentes ao direito penal, duas das minhas paixões. Ocorre que esses assuntos foram deixados para uma outra oportunidade em razão de um vídeo que recebi pela internet e que não saiu da minha cabeça durante esse período. Confesso que apesar da simplicidade do assunto, fiquei bastante consternado. Refletir a respeito do tempo e suas nuances sempre foi algo recorrente na minha vida. O material apontava que um ser humano vive em média 27 mil dias e questionava o uso desse tempo por aqueles que assistiam o conteúdo. Lendo assim parece até uma bobagem pois, objetivamente, o autor do vídeo apenas trocou a unidade de contagem de anos (algo em torno de 74 anos) para o número de dias apontado, o que é bastante simples. Não levei em conta a precisão técnica desse número, pois não foi esse o objetivo quando da análise. Entretanto, o que me deixou intrigado foi o fato de já ter usufruído de 15.330 dias e que me “sobram”, em tese, pouco mais de 11.600 dias e contando. Pensei nisso todos os dias da semana, especialmente no tocante ao tempo que passou e que não me resta nem mesmo a metade do período estimado, isso caso conte com ele de fato, o que nem de longe tenho como garantido. Remoí minhas lembranças recordando o uso que fiz do tempo usufruído e me absolvi de quase todos os meus erros. Fiz o melhor possível, levando-se em conta a maturidade atingida em cada desafio da minha existência. Família, amigos, trabalho e estudos foram as prioridades e, caso tenha magoado alguém, não agi com dolo. Jamais fiz o mal deliberadamente e, com relação às eventuais outras acusações que surjam, quando o meu tempo expirar, como advogado que sou, peço que no além tenha “vista” dos autos por pelo menos 30 minutos para fazer a minha defesa diante de Deus. Espero que o acusador não esteja inspirado neste instante... Deixando de lado o que farei quando do meu julgamento final e a eventual estratégia de defesa, por ora, volto a atenção para o tempo apontado de existência terrena e o que fazer com ele. Num primeiro instante asseguro que não tenho medo da finitude. O sentimento que surge é de pena. Apesar dos dissabores que todo ser humano enfrenta, bem como as alegrias, amores, realizações, amizades, enfim, todos os momentos que preenchem o coração fazem com que nós sequer lembremos dos momentos difíceis enfrentados. Viver é algo realmente fantástico. Diante dessa constatação que beira a ingenuidade, afinal, todos nós em algum momento chegamos a essa conclusão, o que nos resta a partir de agora, independentemente da quantidade de dias faltantes para esse hipotético dia 27.000 é usufruirmos o dia de hoje, chamado não à toa, de presente. Percebo que discuto e penso demais a respeito de temas que não merecem ser objeto dos 11.600 dias que imagino ter pela frente. Bens materiais e conquistas pessoais trazem o conforto para uma vida digna e é preciso investir nisso, mas não podemos depositar mais tempo do que isso merece. Esse recurso valioso chamado tempo é escasso e irrecuperável, sendo assim é essencial utilizá-lo com sabedoria e inteligência. Nos é concedida a oportunidade de interpretar apenas alguns papéis durante a vida, portanto, o que nos for dado como tarefa, façamos o melhor. Garra, determinação, inteligência e coração são os ingredientes indispensáveis para se sair bem em quaisquer empreitadas. Os melhores pais ou mães, filhos, maridos ou esposas, amigos, patrões ou empregados, mestres ou alunos é o que podemos e devemos ser. É o que precisa ser feito para retribuirmos a dádiva que é estarmos vivos.