[[legacy_image_263330]] Nesta última semana estava no escritório elaborando uma peça processual quando fui interrompido. Uma colega de trabalho veio me informar que um oficial de justiça tinha chegado com a finalidade de me intimar para a prática de um ato judicial. Pedi que entrasse na sala e o meirinho, gentilmente, cumpriu o seu mister e passamos a conversar. Após nos cumprimentarmos, chamou-me atenção o fato que ambos mencionamos exatamente o mesmo aspecto, que já estávamos às portas do mês de maio e mal nos tínhamos dado conta disso. O tempo está passando rápido demais, concluímos em animada conversa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com a mesma rapidez que os dias passaram nesse ano, nos despedimos para que pudéssemos dar andamento aos afazeres impostos, afinal, não temos tempo a perder. Confesso aos leitores que tinha separado diversos temas para tratar hoje, entretanto, essa centelha da minha rotina, furtivamente, atraiu o meu olhar e, especialmente, o coração. Quando criança no primeiro dia de aula no Colégio Santista fui brindado com uma agenda e já na aula inaugural fui orientado com relação a sua importância e de como utilizá-la. Deste momento em diante, nunca mais passei período algum sem uma agenda com a programação das tarefas. Esse hábito fez de mim alguém muito preocupado em cumprir aquilo que me disponho a fazer. Serve de exemplo o fato dos meus compromissos da próxima semana já estarem propriamente anotados com dias de antecedência. Uma prática, frise-se, bastante útil para que consiga atender as demandas apresentadas de forma organizada e pontual. A busca pela excelência em todas as facetas da nossa vida são um marco dos tempos que vivemos. Afinal, quaisquer equívocos ou imperfeições são tratados com notável rigor. Refletindo a respeito da velocidade que o tempo passa aliado às circunstâncias das nossas rotinas me dei conta que contribuímos para essa sensação de que o tempo se esvai como areia pelos nossos dedos com uma dolorosa celeridade. A maneira como muitos de nós conduzimos as vidas, entulhados em compromissos, prazos, encargos pessoais e profissionais fazem com que não nos damos conta da passagem de importantes etapas da existência. Outro dia era criança e num piscar de olhos estamos experimentando uma fase diversa de vida. A mudança empreendida na dinâmica da vida social, com o incremento de inúmeras atividades impensáveis há algumas décadas contribuiu de forma decisiva para mudança de percepção da passagem do tempo em nossas vidas. Mas não se trata disso, apenas. Por mais óbvio que isso possa parecer, as pessoas continuam como protagonistas desse processo, apenas não nos demos conta disso. Quantos de nós não vivem o dia com os olhos voltados para o futuro? Acabamos por esquecer de viver o presente para espiarmos um futuro incerto. E é justamente sobre isso que se trata. Falar sobre “vivermos o presente” pode ser considerado um grande clichê, mas na maioria das vezes estamos diante de clichês e obviedades que ignoramos e, portanto, é importante que sejam reforçados. Precisamos relembrar a importância de estarmos de corpo e alma naquilo que presenciamos e não somente de corpo presente. Não podemos conduzir as nossas exigências como se fôssemos pilotos de um avião no modo automático. É essencial viver o presente para contemplarmos a passagem do tempo.