(Guilherme Cunha / SMTUR) Os debates eleitorais na disputa pela Prefeitura de São Paulo têm se mostrado um espetáculo vazio, mais interessado em promover polêmicas do que em apresentar propostas concretas para a cidade. Pablo Marçal (PRTB), Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB), Tabata Amaral (PSB), José Luiz Datena (PSDB) e Marina Helena (Novo) parecem competir para ver quem consegue gerar mais engajamento nas redes sociais com frases de efeito e acusações, enquanto os temas relevantes para o futuro da metrópole ficam relegados a segundo plano. A troca de farpas, os bate-bocas e os pedidos de direito de resposta são o foco, enquanto o eleitor paulistano fica sem as respostas de que necessita para fazer uma escolha consciente. Esse cenário evidencia uma transformação preocupante na dinâmica dos debates políticos. A ausência de respostas objetivas às questões formuladas pelos mediadores e pela própria sociedade dá lugar a discursos inflamados e ataques pessoais que, na prática, não contribuem em nada para esclarecer as propostas de cada candidato. É lamentável que os encontros que deveriam servir como um espaço de discussão profunda sobre as soluções para os problemas da cidade sejam dominados por esse formato que prioriza o espetáculo e a superficialidade. Não é de se admirar que muitos eleitores fiquem desmotivados e sem opções claras. Acompanho desde criança os debates políticos e mudança na dinâmica mostra-se evidente. Desde a eleição presidencial de 1989, quando Paulo Maluf, Leonel Brizola, Lula e Collor protagonizavam confrontos intensos, mas respeitosos, o nível de civilidade parece ter caído drasticamente. Até mesmo o icônico Dr. Enéas Carneiro, conhecido por suas declarações contundentes e muitas vezes polêmicas, mantinha uma postura ética e um compromisso com o debate de ideias. A atual falta de respeito entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo reflete um desprezo pelo eleitorado, que merece mais do que esse show de banalidades. Considero que o formato dos debates precisa ser revisto urgentemente. É essencial criar um ambiente que valorize a apresentação de propostas, a discussão de políticas públicas e o confronto de ideias de forma respeitosa. O modelo atual, que favorece a criação de “cortes” para viralizar nas redes sociais, não atende aos interesses da população e distorce o verdadeiro propósito dos debates políticos. A moderação dos debates deve ser mais firme, garantindo que o foco esteja nas questões que realmente importam para a cidade e não em ofensas e brigas. Debates políticos não são entretenimento. Eles são uma ferramenta crucial para o processo democrático, oferecendo ao eleitor a oportunidade de conhecer melhor os candidatos e suas propostas. Transformá-los em um reality show de baixo nível prejudica a democracia e desinforma o público. É fundamental que os eleitores, não só de São Paulo, mas de todo o Brasil, estejam atentos às propostas e qualidades dos candidatos e não à sua habilidade de gerar “likes” nas redes sociais. A democracia se fortalece quando o debate político é tratado com a seriedade que merece, e não como um mero espetáculo midiático.