[[legacy_image_261867]] Na última terça-feira, 18, foi celebrado o Dia Nacional do Livro Infantil. As festividades se dão nesta data em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato, autor de importantes obras como Ideias de Jeca Tatu, O Saci e O Picapau Amarelo. Em 1882 na cidade de Taubaté, no interior paulista, teve início a jornada de José Renato Monteiro Lobato, que pediria para ser chamado de José Bento em razão do seu pai, mas seria por meio do sobrenome que seria reconhecido como um dos maiores escritores da literatura brasileira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! É impossível falar a respeito de livros infantojuvenis no Brasil sem abordar o legado de Monteiro Lobato. Além dos livros supramencionados, que compõem o rol das histórias mais famosas do autor, inúmeras outras fazem parte do imaginário das crianças e adolescentes do nosso país. Seguramente muitos conhecem A Chave do Tamanho, A Reforma da Natureza ou O Poço do Visconde, por exemplo. A sua obra contribuiu esplendidamente na formação de gerações de leitores e integram parte especial do imaginário de todos nós que crescemos lendo os seus trabalhos. Em suas obras, era evidente a mistura entre realidade e fantasia, valorizando o universo brasileiro, apesar de ser crítico de certos hábitos populares. Fazia uso de referenciais mais próximos das crianças brasileiras e de sua cultura, o que, evidentemente, o aproximou dos leitores. O seu modo de contar histórias, com estilo cuidadoso, foi determinante para que o seu legado atingisse a importância e alcance constatados atualmente. Monteiro Lobato revolucionou a literatura infantil de forma simples e lúdica. Apesar disso, passado mais de um século, especialmente no tocante às crianças, o escritor vem sofrendo um processo de “revisionismo”, sendo, inclusive, acusado de racismo tanto em sua vida privada como em seus textos. Nesta semana vimos reacender esse debate no qual algumas pessoas defendem a importância de entender o contexto social experimentado pelo escritor, enquanto outros defendiam a caracterização do autor como uma figura racista. Confesso que observo essas duras críticas com relação ao trabalho do autor com bastante desapontamento. Como advogado criminalista, talvez por essa circunstância, tenho a fixação pela ideia de justiça que é, simplesmente, dar a cada qual o que lhe cabe. Não podemos ignorar o mundo em que vivia o autor, quais os elementos, informações, exigências legais e sociais que lhe eram impostas quando do momento da composição das suas obras. Considero inapropriado julgá-lo utilizando-se os parâmetros reconhecidos hoje como adequados. As leis, os usos e costumes, bem como a jurisprudência que são fontes do direito retratam a nossa sociedade no instante das suas elaborações e mudam de acordo com a marcha social. Da mesma forma decorre na literatura: a interpretação dos fatos acontece com base nos princípios e valores da época, funcionando como uma fotografia. Logo, não podemos deixar de contar as histórias de Monteiro Lobato, mas estudá-las, explicar para as crianças e jovens que muitas daquelas abordagens não cabem no mundo atual e, portanto, aprender com elas. O legado de Monteiro Lobato é essencial para a vida brasileira.