[[legacy_image_211679]] Vivemos um momento de intensa movimentação política em razão da eleição que será realizada neste domingo (2). Não me recordo de presenciar um clima de tamanha tensão e ânimos exaltados como nesse pleito que se avizinha. Redes sociais, ruas, panfletos tomam conta dos nossos espaços numa verdadeira guerra pelo voto. Considero que esse estado de coisas se dê por causa do sofrimento e desalento que a maioria esmagadora do nosso povo experimenta. Desemprego, saúde, educação, saneamento básico, endividamento das famílias, falta praticamente tudo para que tenhamos uma vida minimamente decente. A desigualdade tem sido a marca indelével do nosso país desde sempre. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As mesmas promessas, alguns rostos diferentes, mas aquele mesmo sabor amargo da desesperança. É difícil acreditar numa mudança real quando estamos diante das mesmas práticas eleitorais e o poder econômico mostrando-se preponderante na divulgação dos candidatos. Imagino que deva ser muito difícil disputar uma eleição enfrentando um aparato gigante como apresentado por alguns postulantes. Respiro, reflito e procuro deixar o desânimo de lado e, igualmente, não me deixar influenciar pela ostensiva propaganda eleitoral de alguns, buscando reanimar a minha fé no futuro, concentrando-me em escolher aqueles que representam as minhas ideias e apresentam projetos apropriados para a sociedade. Essa tarefa não é fácil. Especialmente por verificarmos nessa disputa uma situação que considero atípica em se tratando das eleições no Brasil. Nas últimas semanas alguns intelectuais, artistas, youtubers, formadores de opinião de todas as áreas defenderam fervorosamente a campanha pelo chamado “voto útil”. Em suma, sustentam que devemos participar do escrutínio levando em conta o que apontam as pesquisas eleitorais e votarmos, desde logo, em algum dos candidatos que estão na dianteira desses levantamentos, resolvendo a eleição já no primeiro turno. Esse movimento ocorre principalmente nas eleições presidenciais. Não se trata, em absoluto, de questionar o trabalho importante e sério realizado pelos institutos de pesquisa. Os profissionais que atuam nesse segmento produzem conteúdo de qualidade em prol da sociedade apresentando cenários, traçando o perfil do eleitor, suas expectativas, entre outros dados que auxiliam, não só termos eleitorais, mas para que conheçamos a nós mesmos enquanto sociedade. Costumo dizer que as pesquisas funcionam como uma fotografia do momento e são importantes elementos para a composição do filme chamado vida real. Sendo assim, as pesquisas são válidas e indispensáveis para o exercício da democracia e da plena manifestação de vontade do cidadão. Feita essa justa ressalva, não podemos atribuir a essa fundamental ferramenta um papel que não lhe cabe, a saber: decidir o voto daquele que a consulta. O eleitor tem o direito de se ver informado pelas corretas pesquisas e estudos realizados, como tem igual direito de fazer a sua escolha, independentemente desses números. Especialmente em se tratando de uma eleição em dois turnos – os cargos executivos ostentam essa prerrogativa – o eleitor tem a oportunidade de votar naquele que representa mais intimamente as suas ideias e atende, pelo menos em tese, de forma mais eficaz as suas demandas. Caso o escolhido não vença, aí sim, poderá escolher num eventual segundo turno aquele que mais se aproxima dos seus pensamentos e esperanças. Creio que o voto representa o ápice da manifestação do pensamento humano. Enquanto advogado criminalista defendo teses em busca de votos, seja no Tribunal do Júri ou mesmo nos Tribunais Superiores em busca das liberdades individuais. Isso ocorre por estarmos sob o manto de um estado democrático de direito que há de ser defendido com força e vigor. Entretanto, não é preciso ser advogado para defender a democracia e a liberdade. Todos nós podemos fazê-lo neste domingo votando naqueles que refletem os ideais de um país melhor, independentemente de qualquer fator externo. Seja qual for o seu candidato, o seu voto sempre será útil!