Quando ainda estudante de Direito, ouvi de um renomado advogado criminalista uma frase que, à época, me pareceu tanto um aviso quanto uma promessa: "Caso você não morra de fome nos primeiros 20 anos de atuação, ficará rico nos anos seguintes". As palavras dele, repletas de uma sabedoria adquirida ao longo de décadas no campo jurídico, ficaram gravadas em minha mente, um misto de esperança e desafio. Os 20 anos se passaram. Graças a Deus, não passei fome, mas também estou longe de estar rico, como fez parecer possível o ilustre advogado e hoje colega de profissão. É evidente que o quadro traçado por ele, com cores tão fortes, não deve ser interpretado literalmente. Em vez disso, ele traz uma importante lição sobre algo fundamental na vida humana: a paciência. Não raro sou abordado por estudantes e colegas recém-formados que trazem questões sobre a carreira e noto uma pressa desmedida em relação à obtenção dos resultados profissionais. Percebo que os jovens atualmente têm pressa de obter resultados que exigem tempo para serem alcançados. É como se quisessem colher os frutos antes mesmo de plantar as sementes. A paciência, para a obtenção daquilo que se sonha, não se confunde com procrastinação, que abordei na coluna da semana passada. Em absoluto. Trata-se de entender o processo, de reconhecer que as etapas serão vencidas gradativamente e que, com trabalho e esforço, os objetivos serão alcançados. Sei que atualmente falar sobre trabalho duro e a não obtenção de resultados imediatos não é exatamente popular. Vivemos em uma era de promessas de resultados milionários com “apenas um clique”. Por outro lado, é isso que precisa ser dito e, essencialmente, entendido por aqueles que desejam ir longe na carreira. Não se trata de "passar fome" ou "ficar rico" em um determinado intervalo de tempo, mas de construir um projeto de sucesso que requer tempo, trabalho e, sobretudo, paciência. Os nossos sonhos não se realizam na velocidade que muitos querem nos fazer crer. A verdadeira riqueza que adquirimos ao longo dos anos é a experiência, a sabedoria e a certeza de termos seguido um caminho íntegro e dedicado. A trajetória de um advogado, como a de qualquer profissional, não é uma corrida de velocidade, mas uma maratona. Cada cliente atendido, cada caso resolvido, cada injustiça corrigida, são marcos que, ao serem somados, constroem uma carreira sólida e respeitável. A paciência não é uma virtude passiva, mas uma forma ativa de perseverança. É o reconhecimento de que as conquistas valiosas demandam tempo, esforço e dedicação contínua. Portanto, aos jovens colegas que iniciam sua jornada no Direito, digo: trabalhem com afinco, acreditem em seu potencial e sejam pacientes. O sucesso, quando construído sobre uma base sólida, será duradouro e gratificante.