(Imagem ilustrativa/Pexels) Já escrevi inúmeras vezes, caro leitor, sobre o tempo e sua passagem constante, incansável. O tempo parece ser um tema recorrente em meus pensamentos, um enigma inescapável, que volta e meia reaparece, me convidando a refletir sobre sua natureza incontrolável. Em alguns escritos, tentei medir o tempo com exatidão — calculei quantos dias uma pessoa vive em média, quantos esses dias já passaram em minha própria jornada, e quantos, teoricamente, ainda estão por vir. E mesmo assim, a verdade é que, por mais que eu me esforce para ignorar, cada dia que passa é uma oportunidade a menos de viver nossos sonhos com plenitude. Minha relação com o tempo é, no mínimo, ambígua. Como muitos dos meus leitores atentos já perceberam, quando um tema se fixa em mente, ele ressurge de tempos em tempos, como uma antiga música que volta a tocar nos momentos mais inesperados. Seja em um livro, um filme, ou até mesmo em um simples vídeo encontrado por acaso na internet, quando o assunto é o tempo, algo dentro de mim desperta. E então, mais uma vez, retorno a essa busca incessante por respostas para um dilema universal que, até o momento, não consigo resolver: como lidar com a finitude da vida e a evolução passagem do tempo? Agora, próximo de completar 44 anos, sinto-me no meridiano da minha existência — ao menos, segundo as expectativas mais otimistas. E com esse caminhar da vida, noto que meus sentimentos sobre o tempo mudaram. Hoje, o que sinto é uma pena profunda. Pena por imaginar quantas pessoas extraordinárias passaram por este mundo sem que eu tenha tido a honra de conhecê-las. E, igualmente, tantas outras que virão e com as quais, infelizmente, não poderei compartilhar momentos, trocar ideias ou aprender algo novo. Essa constatação me coloca em perspectiva. Assim como essas pessoas, eu também sou passageiro do tempo. Um dia, os tribunais onde falo, as universidades onde ensino, os textos que elaboro serão apenas vagas lembranças de minha breve existência. Esse pensamento, claro, desperta em mim o sentimento de pena, especialmente por deixar tudo para trás, especialmente as pessoas que amo. Sabemos, afinal, que nada levamos desta vida. O que realmente fica são as memórias, os laços afetivos e o impacto que causamos na vida dos outros. E ao refletir sobre isso, sinto meu coração se apertar. Todavia, também respiro fundo e, ao escrever estas palavras, chego à conclusão de que a única saída para esse dilema perverso é viver a vida em sua plenitude. É necessário sermos os melhores em tudo aquilo que nos propomos a fazer, principalmente no relacionamento com as pessoas que amamos e no trabalho que desempenhamos. Assim, é preferível sentir pena por deixar para trás uma vida extraordinária, cheia de significado, do que sentir pena por não ter aproveitado ao máximo essa oportunidade única que é estar vivo. O tempo, afinal, é o nosso bem mais precioso. Ele é único, irreversível e intransponível. E, diante dessa verdade, que esperamos abraçar cada segundo, sabendo que não há nada mais valioso do que o presente — o aqui e o agora. Não há nada mais único do que o tempo.