[[legacy_image_148421]] Em muitos momentos das nossas vidas nos perguntamos: por que isso está acontecendo? Para onde estamos caminhando? Qual a solução para esse problema? Essas são apenas algumas questões que surgem e angustiam a nossa alma a tal ponto que não sabemos nem ao certo como respirar e enfrentar esses desafios. Em tempos de tanta interação virtual e tão pouca – ou nenhuma – interação pessoal, nos vemos soterrados por notícias que nos compelem a refletir e, especialmente, sentir a dor do outro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um retrato desse estado de coisas é a morte por hipotermia do famoso fotógrafo suíço René Robert, no último dia 19 de janeiro. O artista ficou conhecido pelos retratos de algumas das principais estrelas de flamenco da Espanha. Segundo noticiado pela imprensa, ele escorregou durante uma de suas caminhadas noturnas e, incapaz de se levantar, faleceu em razão do frio após permanecer por nove horas lançado na calçada até que um sem-teto chamou os serviços de emergência, contudo, já era tarde demais. Um triste relato do abandono recorrente dos nossos tempos. Atravessando o Atlântico, no último dia 24 de janeiro, fomos tomados por uma notícia estarrecedora: a morte do congolês Moïse Kabagambe na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O jovem de 24 anos, refugiado no Brasil, foi amarrado e espancado em razão de uma dívida não honrada pelo seu empregador, segundo aponta a investigação. O caso chamou atenção de toda sociedade por se tratar de uma demonstração da estupidez e violência que tomaram conta do nosso cotidiano. Um homem morto por hipotermia após nove horas de indiferença nas frias ruas de Paris; um jovem espancado de forma vil e abjeta em razão de uma dívida na orla da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Estes são apenas exemplos que, apesar de geograficamente distantes, são muito próximos pelo sentimento de indiferença, violência, estupidez e desamor experimentados pela humanidade atualmente. Fatos esses que nos paralisam, chocam e nos remetem aos questionamentos apontados no início deste singelo texto. Diante da pequenez da nossa existência chegamos a conclusão que não temos e – provavelmente – jamais teremos as respostas para as questões mencionadas, mas a certeza apenas de que não devemos “normalizar” esses acontecimentos. Não podemos nos deixar ser tomados pela indiferença por alguém prostrado numa calçada sem auxílio, como também, não podemos ignorar a violência atroz de ver um ser humano sendo espancado e não nos indignarmos. A indiferença anda de mãos dadas com a impunidade. Podemos até contar com legislações modernas, educação de qualidade e condições de vida privilegiadas, mas temos que entender que só é possível viver em harmonia no momento em que situações de abandono e violência não fizerem mais parte do nosso dia a dia. Enquanto isso, seremos confrontados com as consequências desse melancólico cenário. Não podemos mais permanecer em silêncio!