[[legacy_image_243825]] Os hábitos apresentados às crianças na mais tenra idade acompanham-nas por toda a vida. A prática de esportes, o aprendizado de outros idiomas e a leitura são apenas alguns exemplos de atividades que, aprendidas desde cedo, se mostram com potencial ainda maior de desenvolvimento. Acredito que contamos com potencialidades próprias, o que muitos chamam de “dons”, mas acredito mais ainda na força do trabalho e da perseverança para a obtenção do aprimoramento humano, ainda mais nesse momento inicial da existência que se mostra fundamental para a criação da personalidade e, especialmente, da construção do caráter. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como qualquer criança, desde pequeno gostei de jogar futebol e brincar com os meus amigos. No antigo Caiçara Clube passei a maior parte da minha infância e fiz amigos que levo comigo até hoje. As lembranças são uma janela que gosto de visitar com frequência, com o cuidado de não ser saudosista. Cada etapa da nossa existência conta com os seus encantos e desafios, não distingo uma fase da outra como mais ou menos feliz, mas sim, diferentes aprendizados e experiências. Deixando de lado as brincadeiras de menino, outra atividade que me chamou atenção desde sempre foi a leitura e, igualmente, a escrita. Quando ainda no ensino fundamental do Colégio Santista, nos era indicado que cada aluno haveria de ter uma agenda. Com essa ferramenta era possível anotar todas as atividades escolares e tudo aquilo que entendesse devido. Até um espaço era destinado para as mensagens dos amigos da escola. Guardo a maioria delas com muito carinho. Essa é a minha primeira memória afetiva ligada ao ato de escrever. Dividia os recreios escolares entre as atividades esportivas e, não raro, passava muitos intervalos na biblioteca lendo livros e escrevendo os resumos das histórias lidas e, redigindo as minhas próprias, num exercício de imaginação que, naquele instante não me dava conta, mas tenho certeza de que permitiu com que pudesse ser o homem e profissional que sou hoje. Todas as pessoas precisam ser estimuladas a pensar em abstrato e buscar o lúdico em cada situação. Não sabia exatamente como isso aconteceria, mas percebia que, mesmo inconscientemente, que a leitura e a escrita fariam parte da minha vida para sempre. Naquele instante, escrevia não tendo uma finalidade específica além da diversão. Passados muitos anos foi quando me dei conta que esse hábito cultivado lá atrás permitiria com que muitos sonhos pudessem ser realizados. O exercício da advocacia criminal, da docência ou escrever uma coluna semanal são tarefas que se tornaram viáveis com muita leitura e treinamento para escrever. Quando na vida adulta, especialmente na condição privilegiada de colunista do jornal A Tribuna, toda a minha vida foi colocada em xeque. Escrever é mostrar a alma e permitir uma exposição contínua dos seus medos, defeitos, sonhos, tristezas e pequenezas. É procurar enxergar o mundo sob a ótica do leitor e procurar contribuir, mesmo que minimamente, com o avanço naquele tema em discussão. Abrir o seu coração e escrever o que se pensa, simultaneamente, não é um caminho fácil de ser trilhado, embora seja bastante gratificante a troca que se estabelecesse com aqueles que se dispõem a ler o seu trabalho. Escrever é um ato de coragem.