[[legacy_image_221768]] Mais uma vez estamos às portas de uma Copa do Mundo de Futebol e o clima festivo dos jogos já pode ser sentido em muitos lugares nos quais andamos. Daqui a poucos dias teremos a estreia da seleção brasileira e toda dinâmica de um dos maiores eventos esportivos do planeta tomará conta dos noticiários. Prometo que oportunamente escreverei a respeito desse assunto que a todos encanta e faz com que um país inteiro pare para assistir aos jogos. Há quem critique, mas sou daquele cidadão que torce fervorosamente pela seleção brasileira e não perde um jogo sequer. Aliás, torço para o Brasil em quaisquer circunstâncias! Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pelo fato do evento em si não ter começado, prefiro escrever sobre algo que toca o meu coração e está ligado a ele diretamente. Quando criança, não havia Copa do Mundo em que eu não me comprometesse em “completar” o álbum de figurinhas respectivo. Os jogadores, times, bandeiras, escudos, a história dos jogos, tudo me fascinava e sentir-me como parte integrante daquilo, tocava profundamente o imaginário de um menino apaixonado por futebol. O tempo passou e, uma vez adolescente e depois adulto, ávido por deixar as coisas infantis para trás, não me interessei mais por figurinhas e álbuns. Ocorre que neste ano foi diferente. Talvez pelo fato de estarmos passando por um momento difícil na sociedade brasileira, resolvi retomar algo que remonta tantos momentos de alegria entre familiares e amigos e aquela sensação de que, pelo menos por alguns instantes, todos nós torceremos pelo mesmo time, pelo mesmo Brasil. Sendo assim, adquiri o álbum de figurinhas da Copa do Mundo e vários pacotes para dar início a essa jornada e, claro, não poderia fazer isso sozinho! “Convoquei” a minha filha Laura para que compartilhasse esses momentos e me auxiliasse nessa engenhosa empreitada. O que eu não sabia quando da tomada dessa decisão é que não estava apenas adquirindo um álbum a ser completado com fotografias de jogadores, estádios ou signos atinentes ao futebol. Estava adquirindo uma série de momentos de felicidade, companheirismo e amizade divididos com muitas pessoas que encontrei pelo caminho até completar o álbum em questão. Conheci vários vendedores nas bancas de jornais, amigos que fiz nos pontos de troca, as ligações e encontros com amigos para um café e, igualmente, trocar figurinhas. Tudo era pretexto para um bate-papo e descontração. Foi possível rever pessoas que eu não conversava há tempos. Nos aplicativos de conversa, os grupos de amigos que em razão da ferocidade das disputas políticas estavam praticamente parados e agora davam espaço para conversas amistosas a respeito de figurinhas, álbuns, jogos, esportes, lazer, lembranças das Copas passadas e momentos divertidos vividos. Além disso, vi promoções de encontros para assistirem aos jogos juntos e até para confraternizações de fim de ano. E tudo isso aconteceu por causa das figurinhas que, no frigir dos ovos, passaram para o segundo plano em face desse ciclo virtuoso estabelecido. Algo que chamou bastante atenção foi a interação real das crianças sem a utilização de aparelhos eletrônicos, o que considero bastante positivo. Vivemos um momento no qual as crianças passam parte significativa do tempo ligadas a alguma ferramenta digital, e vê-las, mesmo que por alguns instantes, trocando figurinhas, conversando, interagindo no mundo real foi algo especial e que precisa ser incentivado. Não podemos negar as vantagens proporcionadas pelos meios eletrônicos, mas enquanto sociedade precisamos assumir o compromisso de incentivar, especialmente as crianças, que elas vivam o mundo de verdade. Superando todos os desafios, enfim, completamos o álbum da Copa do Mundo! Confesso que num primeiro momento fiquei feliz – e a minha filha mais ainda -, pois não é fácil atingir as 670 figurinhas que o compõe. No entanto, uma singela tristeza tomou conta dos meus pensamentos por alguns instantes em razão de não contar mais com um motivo para colecionar. Foi aí que me dei conta que o importante em todos os álbuns que completei, bem como esse recém completado, não foram as figurinhas amealhadas, mas os momentos vividos com as pessoas que amo e aquelas que conheci na jornada. E você? Tem figurinhas para trocar?