[[legacy_image_206059]] Nesta última quinta-feira (8), aos 96 anos, morreu a rainha Elizabeth II que constituiu entre tantas outras importantes facetas, a de símbolo máximo da monarquia em todo o mundo. A rainha foi a soberana que mais tempo ocupou o trono britânico, deixando como legado a coragem e sensibilidade no enfrentamento de inúmeros desafios suportados pela humanidade, bem como o respeito e discrição na preservação da Coroa, apesar das duras críticas sofridas, especialmente, no tocante à exposição das crises internas da família real. Ela deixa quatro filhos, todos de seu relacionamento com o príncipe Philip, que morreu no ano passado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Não seria exagero dizer que Elizabeth foi uma das figuras mais importantes do século XX. Aos 26 anos foi coroada e tornou-se chefe de Estado do Reino Unido, chefe das Forças Armadas britânicas, da Igreja da Inglaterra e da Comunidade Britânica, também chamada de Commonwealth. Apesar de não ostentar poderes executivos, é forçoso reconhecer o seu protagonismo e liderança nas últimas sete décadas exercido através de uma das armas mais poderosas: o bom exemplo. Uma mulher à frente de seu tempo que contribuiu de forma decisiva para a obtenção da relativa paz que usufruímos hoje. Jamais esquecerei o dia do seu falecimento. Estava atuando num julgamento longo e exaustivo perante o Tribunal do Júri, terminado após quase dez horas de duração, com oitivas e debates intensos e, em um dos intervalos, fui informado da morte da rainha Elizabeth sem detalhamento algum. Confesso que fiquei consternado com a notícia, pois quem me conhece sabe da admiração e respeito que nutria não só pela figura da rainha, mas pelas formas, formalismos e formalidades que compõem a monarquia e todo o seu valor e significado para o progresso da humanidade. Vivemos um momento no qual as tradições e os costumes são colocados em xeque a todo instante. Parece que a sociedade como conhecemos e todas as ferramentas que permitiram com que nós chegássemos até aqui não valessem mais ou merecessem reparo imediato ou até mesmo substituição A própria instituição do Tribunal do Júri que completa 200 anos neste ano no Brasil, mencionada no parágrafo anterior, vem sofrendo ataques sistemáticos por aqueles que querem vê-lo extinto. Assim tem acontecido, igualmente, com a religião, política, muitos ramos do direito e outros instrumentos do pensamento humano que passam por esse processo de desconstrução social. Desta forma, Elizabeth e a monarquia britânica, numa verdadeira simbiose, representavam esse conjunto de princípios que venceram o tempo. Os valores intrínsecos do seu reinado inspiraram milhões de mulheres e homens em todo o mundo, em tempos de guerra e paz. A rainha lidou com 15 primeiros-ministros britânicos, de Winston Churchill a Liz Truss e conduziu o seu povo, independentemente da coloração partidária destes, ao melhor caminho. São as vantagens do poder atemporal, pois não há preocupação com a eleição seguinte, tampouco com jogos de poder, apenas com o bem-estar dos seus governados. A rainha representa, conjugo o verbo no presente porque o seu legado mostra-se eterno, que a conservação de princípios e valores são necessários para o avanço da nossa sociedade com o efetivo progresso para todos. Isso não quer dizer que não temos que estar atentos às mudanças e caminharmos juntos. Elizabeth em seu discurso na Assembléia-Geral da ONU em 2010 disse: “Talvez sempre aconteça que o empenho pela paz seja a forma de liderança mais difícil de todas. Não conheço uma fórmula única para o sucesso, mas ao longo dos anos tenho observado que alguns atributos de liderança são universais, e muitas vezes tratam de encontrar maneiras de encorajar as pessoas a combinarem seus esforços, talentos, percepções, entusiasmo e inspiração a trabalharem juntos.” Coragem e a busca pela unidade, obrigado Rainha Elizabeth.