[[legacy_image_200950]] Foi dada a largada na corrida eleitoral. A partir da última terça-feira (16) a campanha teve início e partidos políticos e seus candidatos começaram apresentar à população ideias e propostas em busca de votos. Seremos brindados pelos próximos 40 dias, com toda sorte (ou seria falta desta?), por material gráfico, propaganda na internet, caminhadas, comícios, enfim, viveremos a chamada festa da democracia. Evento este que nos consome, a título de fundo eleitoral, bilhões de reais que poderiam ser utilizados para minimizar as agruras experimentadas por muitos brasileiros em setores sensíveis, entretanto, não foi este o caminho escolhido por nós enquanto sociedade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Friso, desde logo, que não é a respeito desse aspecto controverso das campanhas políticas que me disponho a abordar na coluna deste sábado. O que tem me chamado bastante a atenção neste curto período inicial é a animosidade entre os eleitores, especialmente em se tratando da campanha presidencial. Confesso que evito – até em busca da manutenção da saúde mental – ler os comentários proferidos em matérias políticas dada a quantidade de ofensas, crimes e toda espécie de violência empreendida no ambiente virtual. São palavras duras e tóxicas que comprometem o entendimento dos assuntos em questão. Apesar de o parágrafo inicial tecer uma crítica no tocante a aspectos marcantes das campanhas políticas, especialmente quanto ao custo pago pela sociedade, é forçoso reconhecer a relevância desse momento e a necessidade de voltarmos a atenção para o fazimento da melhor escolha possível. Vale lembrar que escrevi recentemente na minha coluna “Precisamos votar pela nossa própria cabeça” em 9 de julho deste ano, tratando naquela oportunidade a respeito do papel das pesquisas eleitorais e da importância de escolher bem os nossos representantes levando-se em conta a nossa consciência, apenas. Hoje me disponho a destacar outro aspecto relevante que é a necessidade de se desenvolver uma melhor percepção das coisas e, assim, ter a possibilidade de escolher o que é certo ou errado para nós mesmos e para a coletividade. Isso não ocorre com a participação no escrutínio, apenas. É necessário mais. É essencial saber ouvir e respeitar a opinião dos outros. Saber expor suas ideias e pensamentos sem agredir ou ofender e, especialmente, entender o lugar de fala de cada pessoa e suas particularidades quando da defesa de uma ideia. Infelizmente o que estamos presenciando nesse início de processo é acirramento dos ânimos, desenlace de amizades e afastamento de parentes em razão de divergências políticas. Considero isso inaceitável. É imprescindível registrar que esse fenômeno se dá independentemente da coloração partidária, até porque os discursos radicais vêm encontrando espaço no sentimento de “nós contra eles” que tomaram conta de parte significativa da sociedade brasileira. Alguém que venha a manifestar sua predileção política nas redes sociais, por exemplo, sofrerá certamente críticas ferozes e ataques, como vem sendo constatado diariamente. Essa intolerância desagrega e contribui para a deterioração do sentimento democrático e, igualmente, do Estado Democrático de Direito e suas instituições que garantem a existência da participação popular nas decisões do Brasil. É fundamental que sejamos propagadores de bons exemplos tanto na vida real quanto no ambiente virtual. Nunca foram tão necessárias a inteligência, a cortesia e a sensibilidade, as quais são marcas indeléveis do nosso povo. Agir de forma diversa é reconhecer que a barbárie e a intolerância dominaram o ambiente social e isso não se coaduna com a história brasileira de luta pela democracia. Vencendo ou não o candidato da nossa preferência, continuaremos sendo amigos, familiares, colegas de trabalho ou quaisquer outros meios de convívio. Respeitar a opinião do próximo, suas particularidades, qualidades e defeitos é o que tornará ainda mais plural e democrático o ambiente onde vivemos. A democracia é sinônimo de respeito e tolerância.