[[legacy_image_250965]] Vivemos um tempo no qual o avanço tecnológico acontece de forma bastante rápida. Os computadores, smartphones, até mesmo a inteligência artificial progridem de maneira que muitos de nós não conseguem acompanhar. O próprio aparelho de televisão deu espaço para outras funcionalidades impensadas até outro dia. A tentação para a utilização contínua desses aparelhos é forte. Seja em razão do trabalho, para nos mantermos informados ou até para diversão, estamos quase o tempo todo conectados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Considero essas posturas nocivas ao convívio pessoal. Passar mais tempo interagindo com aparelhos eletrônicos ao invés de estar mais atento ao mundo real sempre me pareceu algo errado. A tecnologia existe para ajudar as pessoas e aprimorá-las, e não para aprisioná-las em mais um post que se abre, em mais um “click” que se dá. Confesso que não é fácil lutarmos contra essa realidade, mas é fundamental que façamos algo a esse respeito para mantermos a nossa sanidade e equilíbrio. Não podemos agir como se vivêssemos no “piloto automático". Um exemplo de atitude que procuro adotar na minha vida é quando do momento das refeições. Temos um combinado em casa: nos instantes em que estamos à mesa nada de aparelhos celulares, tablets ou televisores ligados. Não é fácil, admito. A resistência por parte da família é dura, contudo, essas iniciativas são importantes para mantermos e fortalecermos os laços que nos unem. Precisamos conversar pessoalmente! Trocar olhares, observar os gestos, discutir assuntos, enfim, ainda é preciso viver “ao vivo”, e não apenas através de telas invencíveis. Justamente essa conduta proporcionou o momento que considero essencial abordar. Estava jantando com a minha filha e conversávamos a respeito de futebol, do jogador Neymar e da Copa que se passou no final do ano passado. Entre uma ideia e outra, comentei com ela a respeito das limitações de uma mulher nascida no Catar, país-sede do último mundial. Disse que lá, diferentemente do Brasil, as mulheres precisam pedir permissão para estudar, viajar e que até pouco tempo atrás precisavam da autorização do “guardião masculino” para dirigir, entre outras tantas barbaridades. Os olhinhos dela – que contam com oito anos de idade - se encheram de indignação e ela perguntou: “Mas por que isso, papai?” Respirei fundo e, procurando uma resposta lhe disse: “Não sei explicar porque isso acontece, mas temos que lutar para que isso mude, filha”. É inadmissível que em algum lugar do mundo nós ainda contemos com condutas e pensamentos dessa ordem. Apesar de ter dito a ela que no Brasil nós não temos restrições assim, isso não quer dizer que presenciamos por aqui um ambiente minimamente aceitável. As mulheres sofrem limitações em todas as esferas sociais e isso precisa mudar. Esse diálogo, que só foi possível por estarmos conectados um ao outro e não através de nenhum apetrecho eletrônico, fez com que eu pensasse muito a respeito desse tema. Nós não precisamos ser mulheres para nos indignarmos com essa situação. Os amores das nossas vidas não podem ter as suas existências, direitos e escolhas vilipendiadas por posturas e ações machistas que precisam ser banidas da sociedade global. As mulheres devem ter os seus direitos salvaguardados não só no papel, como também, na vida prática. Todos temos que estar conectados em defesa das mulheres!