[[legacy_image_226273]] Nesta semana ingressamos no último mês do ano e, mesmo que não queiramos, as nossas mentes são tomadas por lembranças de momentos vividos. Não tem sido um período fácil para a humanidade, em especial para o povo brasileiro. Sofremos ainda as agruras oriundas de uma grave pandemia, desemprego, fome, violência, enfim, estes são apenas alguns exemplos dos desafios que nos foram impostos. Sem contar as disputas políticas que nos atingiram, separando familiares, amigos e colegas de trabalho, criando um ambiente difícil de se viver. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por outro lado, como sou uma pessoa que procuro sempre agir de forma otimista, afirmo que nem só de coisas ruins o ano de 2022 foi feito. Ao contrário, muitos gestos de amor, solidariedade, generosidade e amizade foram praticados e em número muito maior do que as mazelas acima elencadas. Todavia, o bem é silencioso e elegante, por vezes passa despercebido aos nossos olhos e corações, enquanto o ódio e o rancor fazem bastante alarde e contaminam o ambiente onde se instalam. É essencial que sejamos propagadores de boas atitudes e sentimentos. Como recompensa por esses generosos atos praticados em sigilo ou pelo fato de Deus ser brasileiro, não sei dizer, fomos brindados com uma Copa do Mundo tardia. Normalmente realizada no mês de julho, neste ano foram escolhidos os meses de novembro e dezembro. Considero isso uma oportunidade! Desde criança, apaixonado por futebol, os jogos da seleção brasileira são sinônimo de família, amigos e felicidade. É a oportunidade na qual não existe paixão clubística, todos torcemos pela camisa verde e amarela, pelo mesmo time, torcemos pelo Brasil. Além disso podemos, mesmo que inconscientemente, sarar as feridas advindas das duras batalhas travadas nos últimos tempos. Deixar de lado as disputas políticas e ideológicas e focarmos naquilo que nos une, e não no que nos distingue. Em outras palavras, está aberta diante de nós uma janela de oportunidade para que voltemos a ser, apesar das dificuldades, o que sempre fomos: um povo afetuoso, plural e com muita esperança de construir uma realidade justa para todos. Apesar desse cenário, creio que não estamos tirando proveito dessa possibilidade plenamente. Infelizmente, muitas pessoas estão trazendo a discussão política para um momento que deveríamos tratar apenas do jogo de futebol. Discutir política neste período considero um equívoco. A situação que representa esse estado de coisas é a lesão sofrida pelo jogador Neymar. O camisa 10 brasileiro saiu de campo machucado no primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo e, em razão de sua opção política, pessoas se manifestaram no sentido de que torceriam para que ele não se recuperasse a tempo de disputar os demais jogos. Reconheço que ninguém é obrigado a gostar do jogador A ou B, menos ainda de jogos de futebol ou coisa que o valha. De outro modo, é fundamental que amadureçamos enquanto sociedade, principalmente no combate a discursos de ódio como este que versam a respeito da saúde ou integridade de um jogador de futebol. Caso queiramos ocupar um espaço de protagonismo no cenário mundial, precisamos proteger os nossos destaques nos esportes, artes, literatura, ciência, independentemente de quaisquer circunstâncias, inclusive, predileção política. Pensando a respeito de toda essa situação, me lembrei da primeira camisa da seleção brasileira que tive e que foi dada pelo meu pai. Fiquei muito feliz, com nove anos, quando tive em minhas mãos aquela linda camisa verde e amarela. A primeira Copa do Mundo que acompanhei foi a de 1990 e recordo até hoje o gosto amargo da eliminação para a Argentina. Relembro também da felicidade de torcer ao lado do meu pai e avô com os títulos em 1994 e 2002. É sobre isso que trato: construção de memórias e sentimento de unidade no país entre tantos outros aspectos positivos que podemos auferir. A política não pode servir de ferramenta para acirramento de ânimos e perseguição de pessoas que pensam diferente. Precisamos de unidade para construirmos um ambiente de paz no Brasil.