[[legacy_image_224591]] Nos últimos dias a nossa região se tornou palco de uma série de crimes contra o patrimônio que chamaram a atenção de toda sociedade. Vários arrastões com roubos e furtos de alimentos e aparelhos eletrônicos foram realizados em mercados e lojas, gerando um profundo sentimento de insegurança nos moradores da Baixada Santista. Restou evidente nesses episódios a impotência por parte das autoridades em apontar soluções concretas para evitar que novos crimes como esses aconteçam. A população, por seu turno, vive amedrontada e na espera de uma resposta definitiva. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esse cenário de violência e impunidade que nos é apresentado não conta com uma solução simples, apesar de conhecermos o caminho para o seu enfrentamento. Infelizmente, não podemos mais andar nas ruas e nos sentirmos seguros e agora, nem mesmo frequentar lojas ou quaisquer outros estabelecimentos privados se mostram ambientes nos quais estejamos protegidos. Isso acontece em razão da negligência do poder público para com os reais problemas da população, ignorando assim, todos os prejuízos advindos dessa inação. Não podemos ignorar a grave crise social que enfrentamos. O número de pessoas desempregadas aumentou drasticamente nos últimos anos. O preço dos alimentos disparou e muitas pessoas não conseguem ter dinheiro para se alimentar. Não procuro, em absoluto, justificar a conduta daqueles que se viram envolvidos nesses eventos, mas, pelo menos para muitos ali apontados, essa é a explicação para a prática dos delitos. Portanto, além das questões jurídicas que considero relevantes para o enfrentamento desse problema, não podemos deixar de lado essa amostra de uma chaga social que está aberta. Feita essa ressalva, precisamos olhar com atenção para a legislação penal, especialmente, para os crimes contra o patrimônio. Apesar das reformas empreendidas no transcorrer do tempo, o nosso Código Penal de 1940 não apresenta soluções satisfatórias para os problemas atuais. É essencial que entendamos que penas proporcionais e adequadas são as ferramentas para o enfrentamento da impunidade. Isso só será possível com leis modernas, em sintonia com as melhores práticas internacionais, e que contemplem novas condutas delitivas. Devemos cobrar dos legisladores federais ações concretas nesse sentido! Além desse importante passo, é inadiável o investimento nas polícias. Escrevi recentemente a respeito do imprescindível papel das polícias no combate à violência e na obtenção da almejada paz social. Contar com policiais bem remunerados e equipados adequadamente se mostra indispensável para o combate do crime cada vez mais organizado. Pensarmos em segurança contempla de forma indireta todas as facetas da vida em sociedade. Não se tem um bom ambiente de negócios, educação, turismo ou cultura, sem que contemos com uma segurança pública de qualidade. A situação se mostra mais complexa do que as duras imagens de crimes mostradas nos últimos dias, entretanto, o caminho para construirmos uma sociedade justa está desenhado. Considero que é imperioso que nós trabalhemos em duas frentes bastante claras: dar condições de vida digna às pessoas, que elas possam trabalhar, estudar e construir uma vida melhor para si e, indiretamente, para todos. De outra ponta, modernizarmos as leis penais, contemplando as demandas atuais e contando com penas apropriadas, sem deixar de lado a valorização das polícias e dos demais mecanismos da segurança pública. Arrastões? Precisamos de soluções!