[[legacy_image_156385]] Por mais que tenhamos conhecimento de inúmeras guerras travadas ao longo da história, a experiência de acompanhar esses momentos “ao vivo”, sem dúvida, é chocante. O ataque promovido pela Rússia em face da Ucrânia nos impõe um cenário devastador: jovens feridos sem atendimento médico, outros tantos morrendo sem direito sequer a um funeral adequado, a mazela humanitária no tocante aos refugiados (um milhão deixaram a Ucrânia em uma semana, dados da ONU). Sem dúvida essa situação deixa marcas que perdurarão por toda uma geração. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Inúmeros relatos apontam o sofrimento, inclusive, de membros do exército do país invasor. Na última quinta-feira (03) foi amplamente noticiado que civis ucranianos alimentaram um soldado da Rússia após a sua rendição. Imagens foram divulgadas mostrando-o abalado, comendo um pedaço de bolo e tomando uma xícara de chá oferecidos por moradores locais. Os vídeos mostram, ainda, o jovem sendo acalmado por uma mulher e lhe sendo oferecido um aparelho telefônico para que pudesse falar com a mãe e, realizada a ligação, ao ouvi-la, manda um beijo e começa a chorar. A guerra nos coloca numa situação absolutamente dicotômica. De um lado, tensão e instabilidade no mundo, jovens sendo mortos durante as batalhas, famílias russas e ucranianas sendo destruídas pela ambição desmedida de poder, ameaça de guerra nuclear e, por outro lado, gestos como os trazidos acima, que demonstram amor e solidariedade. Em outras palavras, evidencia-se um senso de humanidade incompatível com um conflito tão desnecessário e custoso para a sociedade global. Somente no Leste da Ucrânia, mais de 40 mil pessoas ficaram sem comida e energia elétrica após os ataques promovidos pelos russos. Da parte do agressor, em razão das inúmeras mortes de seus soldados, o Presidente Vladimir Putin prometeu às famílias enlutadas uma considerável compensação financeira e ajuda mensal. Impossível conceber a ideia de que a perda de um ente querido em razão de uma guerra estúpida possa ser reparada com dinheiro. Um homem sem princípios medindo as pessoas pela sua régua. Estes são apenas alguns exemplos das nefastas consequências de pouco mais de uma semana de combates. Diversas sanções internacionais foram impostas ao país agressor para colocar fim ao conflito. Timidamente, nota-se que essas ações resultarão em pesadas consequências ao governo russo, todavia, de resultados práticos ainda insondáveis. De certo, sofrerão as consequências, principalmente econômicas, a população russa que, em sua maioria, desaprova a guerra e esse duro gesto de violência. Pelo lado ucraniano, resta a desolação por um conflito injustificado, o exercício da legítima defesa e, especialmente, a demonstração de amor e solidariedade da população em apoio aos soldados “inimigos” com a certeza de que gestos como esses mudarão esse estado de coisas e construirão a paz que todos almejam.