[[legacy_image_207850]] No mundo atual é fundamental que se busque incessantemente o aprimoramento pessoal, moral e profissional. São tantos desafios impostos pelo dia a dia que permanecermos inertes não é uma opção, pois as exigências trazidas para vencermos os obstáculos parecem se agigantar e a sobrevivência uma luta cada vez mais dura e difícil. Caso não estejamos atentos, somos arrastados pelas circunstâncias e tomamos decisões de supetão, aumentando significativamente a margem de erro. Para que isso não ocorra, precisamos nos adaptar às mudanças com rapidez e quem não estiver pronto para esse enfrentamento terá sérias dificuldades no transcorrer da vida. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Lembro-me do primeiro dia de aula no Colégio Santista. Fui na perua do tio Zé e a minha mãe me levou até a entrada do veículo, me beijou e desejou boa sorte e que Deus me protegesse. Permaneci firme naquele instante, entrei e não olhei para trás, mas quando o veículo dobrou a esquina, me senti só e comecei a chorar. Tinha quatro anos de idade e naquele momento me dei conta que a vida não seria fácil e a coragem uma ferramenta indispensável. Aguardei ansiosamente o meu pai me buscar na escola, foi um dos momentos mais felizes da minha vida vê-lo chegar. Muitos anos se passaram e busco na coragem daquele menino de quatro anos a assertividade para vencer as dificuldades da vida. Posso dizer, sem medo de errar, que o maior desafio enfrentado é o de ser pai, pois considero que o desenvolvimento pessoal de alguém que tem filhos deve ser direcionado àquela pessoa em formação. Esse trabalho não compete às escolas ou creches, eis que é exclusivo dos pais e não admite terceirização. Os princípios e valores intrínsecos na personalidade dos responsáveis devem ser passados aos pequenos como missão. Esse é o grande legado daquele que se dispõe a exercer esse papel. Essa tarefa não é realizada através de grandes movimentos ou ensinamentos complexos, em absoluto. Se dá através dos pequenos gestos, como por exemplo, levar ou buscar os filhos na escola. São nesses hiatos de tempo que os pequenos observam o comportamento dos seus maiores amores e aprendem importantes lições. Ser presente na vida dos seus filhos é a maior dádiva que um pai ou mãe pode conceder. Não há nada mais precioso do que o tempo ao lado das pessoas que amamos. Sei exatamente a sensação de ver o meu pai esperando na porta da escola para me buscar, por isso considero importante fazer o mesmo pela minha filha. É necessário, igualmente, que sejamos firmes e rigorosos com relação a aspectos da formação do caráter dos nossos filhos. Hoje em dia contamos com uma série de situações que desconectam as pessoas e conectam os aplicativos. Precisamos estar atentos não só ao conteúdo consumido, como também, ao tempo despendido com todas as atividades por eles exercidas. Saber dizer “não” e impor limites num mundo tão permissivo como o atual é condição primeira para construirmos uma relação sincera com os filhos e formarmos pessoas maduras e aptas para os enfrentamentos da vida. O grande escritor e cronista Machado de Assis em sua célebre obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” a certa altura cunhou: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” Essa frase que remonta o século XIX poderia refletir diante das dificuldades atuais o sentimento de muitas pessoas no que diz respeito a criação de filhos. Assim como naquele tempo, atualmente, trata-se de um desafio extraordinário ocupar essa função. Interpreto essa frase não como um convite a não ter filhos, mas como um alerta para a magnitude desse papel. É essencial que se tenha amor e carinho para com os filhos, sem deixar de lado a firmeza e responsabilidade na passagem dos valores que devem fazer parte de alguém disposto a construir um mundo melhor.