[[legacy_image_319635]] À medida que nos aproximamos do estágio final de mais um ciclo, é natural que nossa mente volte ao seu início. Dizem que, quanto mais nos aproximamos do término de algo, é quase imprescindível voltarmos nossos olhares para o início, para os primeiros passos e sonhos que deram origem a essa jornada. Essa máxima se revela especialmente verdadeira ao encerrarmos mais um ano. É como se, ao divisarmos o horizonte da próxima etapa, nossos pensamentos inevitavelmente retornarão aos primeiros passos no caminho. No entanto, as portas que se abrem para encerrar este período carregam consigo um sentimento evidente de esgotamento. Não posso afirmar que a nossa geração enfrenta os desafios mais intensos impostos, mas arrisco dizer que, inegavelmente, é a que enfrenta o maior número de frentes de atuação simultaneamente, cada vez mais exigentes e desafiadoras. Esta é a realidade compartilhada pela sociedade atual: as demandas crescem numa medida incompatível com a dinâmica da natureza humana. As redes sociais, já discutidas inúmeras vezes neste espaço, funcionam como uma espécie de palco para nossas ansiedades e frustrações sociais. Um ambiente em que não há perdedores, apenas vitrines de conquistas fabricadas e sorrisos meticulosamente ensaiados. Onde não existe espaço para erro. Todos nós somos perfeitos e bem-sucedidos e, portanto, aquele que não se enquadra nesse perfil, não serve. Apesar de sabermos que isso não é verdade, por mais que não reconheçamos, isso nos afeta e contribui para esse sentimento de exaustão comum. Não é fácil pôr em prática aquilo que escrevo, mas luto diariamente nesse sentido. Enquanto redijo estas palavras, faço uma pausa para refletir sobre minhas realizações ao longo deste ano. Absolvo-me das eventuais metas não alcançadas, pois compreendo que o equilíbrio se estabelece quando acertamos o melhor que podíamos. Os “coaches” das redes sociais surgem na mente com suas frases motivacionais e promessas de perfeição embaladas em “pacotes” de meios sem fins comprovados. Opto por deixá-los de lado, afinal, quem tem resposta para tudo são eles, não eu. Retorno, então, à serenidade das minhas próprias convicções para afirmar que sei que fiz aquilo que era realizável. A você, leitor, que dedica seu tempo a estas palavras, proponho o mesmo exercício de autoavaliação. Faça uma análise de consciência justa e construtiva, apoiando os esforços despendidos em meio a um contexto desafiador. Tenho certeza de que, apesar de todos os entraves, ficará orgulhoso pelos avanços empreendidos nesse período e reunirá forças para cumprir mais essa jornada. Encerro estas reflexões com uma mensagem de força para atravessarmos os dias finais do ano. Entre erros e acertos, é fundamental considerar que demonstramos o nosso melhor até agora. Respeitemos nossos limites, respeitemos a nossa essência e, acima de tudo, preservemos nossos princípios e valores. Concluiremos este ciclo com a certeza de que, apesar das adversidades, mantivemos nossa integridade e perseverança. O novo ano que desponta está repleto de possibilidades e desafios. Que estejamos prontos para enfrentá-los com sabedoria e coragem, mantendo-nos fiéis a nós mesmos.