[[legacy_image_223129]] O professor entra em sala de aula e, com a voz firme diz: “Pessoal, apenas a caneta em cima da mesa, vamos dar início à prova”. Essa frase, que a tantos atemoriza, será bastante repetida nos próximos tempos, afinal, estamos nos aproximando do fim de mais um ano letivo. Nas escolas, nas universidades e demais instituições de ensino, neste período, as avaliações são exigidas e o conhecimento dos alunos aferido. Evidentemente que o avanço do processo pedagógico nos proporcionou outras tantas formas eficazes para medição do aprendizado, mas a chamada “prova” continua sendo um meio indispensável para essa finalidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quem me conhece por um minuto ou pela vida inteira sabe que desde que descobri que uma pessoa tinha que exercer uma profissão para viver, quis ser advogado criminalista e professor de direito penal. Há quase 20 anos vivo do direito e sinto-me realizado com isso. Procuro transmitir àqueles que convivo que o compromisso com o trabalho, dedicação e a paixão com o que se faz diariamente são circunstâncias indispensáveis não só para um trabalho bem-feito, mas para ser feliz e realizado como ser humano. Acredito que esse papel deve ser interpretado pelo professor. Nesta última semana, observando a aplicação de mais uma prova para uma querida turma de alunos de quinto ano de direito, um turbilhão de emoções tomou conta do meu coração e dos meus sentidos. Naquele instante me vi diante de tanto trabalho empreendido por todos eles durante esse percurso e o desejo de desenvolvimento para si e para aqueles que amam, enfim, não se tratou apenas de mais uma prova, mas presenciar in loco o início de uma etapa de realização de sonhos que contemplam também o universo de pessoas que cercam cada um deles. Trata-se de uma conquista social, não individual apenas. Lembro-me de quando estava às portas desse momento em minha vida e do sentimento de insegurança diante desse enorme desafio. Vencidas as provas, tinha pela frente a tão esperada vida de recém-formado. Sei das dificuldades desta fase e procuro acolher e manter a porta aberta para os meus alunos. Foi e ainda é muito importante contar com os conselhos e apoio daqueles que detêm mais experiência. Não considero adequado cobranças nesse instante, pois, independentemente da carreira que se busque abraçar, o foco é na formação do ser humano, no caráter e não apenas no aspecto profissional. Diante desse cenário, resta evidente que a educação é a principal ferramenta para a transformação humana. Não há nada comparável à evolução do pensamento e o consequente aumento da capacidade de tomar boas escolhas para a melhoria das pessoas e do mundo. Certamente foi essa característica que me levou há mais de 15 anos para a sala de aula e nunca mais me deixou sair. A advocacia e a docência são atividades que caminham lado a lado em busca da liberdade, do conhecimento e, essencialmente, da justiça. As “provas” estarão sempre ali prontas para serem exigidas daqueles que querem ir além, buscar o avanço pessoal e profissional, enfim, romper barreiras. Sendo assim, precisamos estar preparados para esse enfrentamento, caso decidamos ser os protagonistas das nossas vidas. Ninguém fará isso por nós, portanto, é preciso tomar essa decisão e ir adiante, sem pestanejar. Não existem atalhos a serem seguidos e nenhum “guru” nos dará a fórmula mágica. Ética, coragem, trabalho e disciplina são os requisitos comuns a todos que “gabaritaram” a principal prova, que é a prova da vida real.