Machado de Assis nasceu em 21 de junho (Reprodução) O dia 21 de junho se aproxima, trazendo consigo uma reflexão inevitável sobre a genialidade de Machado de Assis, que nasceu nesta data. À medida que o inverno se aproxima, somos lembrados da perenidade da sua obra, especialmente a minha preferida: "Memórias Póstumas de Brás Cubas", que, mesmo com o passar dos anos, continua a encantar e a provocar reflexões intensas. Lembro-me com clareza do meu primeiro encontro mais aprofundado com o universo machadiano. Era um adolescente no Instituto Federal de São Paulo, durante o Ensino Médio, preparando-me para o vestibular de Direito. Em meio aos livros didáticos e às apostilas de revisão, emergi na narrativa irônica e melancólica de Brás Cubas. Ali, naquele momento, me dei conta da grandiosidade do trabalho de Machado de Assis e da sua relevância não apenas para a literatura brasileira como para a literatura mundial. "Memórias Póstumas de Brás Cubas" é uma obra que transcende o tempo. Publicada originalmente em 1881, continua a ser uma leitura obrigatória e, surpreendentemente, atual. A narrativa do defunto-autor, com sua visão cínica e desencantada da vida, faz eco aos dilemas e contradições da existência humana que persistem até hoje. Machado de Assis, com sua escrita afiada e crítica, nos desafia a olhar para dentro de nós mesmos e a questionar nossas motivações, nossos valores e a própria natureza da nossa existência. O humor sutil e a ironia mordaz de Machado de Assis revelam uma compreensão profunda da sociedade e da condição humana. Ele não poupa ninguém – desde os políticos corruptos até os intelectuais presunçosos, todos são alvos da sua sagacidade. E é exatamente essa habilidade de desnudar a hipocrisia e a vaidade humana que torna sua obra tão relevante e fascinante até os dias atuais. Na preparação para o vestibular de Direito, enquanto mergulhava nos densos conteúdos exigidos nas provas, a leitura de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" ofereceu uma pausa reflexiva, um momento para contemplar a vida sob uma perspectiva diferente. Machado de Assis, com sua escrita atemporal, ensinou-me que a literatura tem o poder de transcender as barreiras do tempo e do espaço, e de nos conectar com a essência do que significa ser humano. Hoje, ao recordar aqueles dias no Instituto Federal de São Paulo, sinto uma profunda gratidão por ter sido apresentado a Machado de Assis e sua obra. Seu legado literário é uma fonte inesgotável de inspiração e reflexão, lembrando-nos que, mesmo em um mundo em constante mudança, algumas verdades universais permanecem. E assim, a cada 21 de junho, celebramos não apenas o nascimento de um dos maiores escritores da nossa literatura, mas também a imortalidade das suas palavras e a contínua relevância das suas histórias. Em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", encontramos mais do que uma narrativa; encontramos um espelho da alma humana, com todas as suas imperfeições e contradições. O intrigante ponto de vista que nos coloca o autor, na qualidade de alguém que já morreu e não pode fazer mais nada para alterar a sua existência, é um aviso de que devemos calcular bem os nossos passos nessa jornada chamada vida. E é esse espelho que, ano após ano, continua a nos encantar e a nos fazer refletir, comprovando que a obra de Machado de Assis é, de fato, eterna.