(Imagem ilustrativa/ Unsplash) Em quase todas as palestras que faço para jovens advogados alguém formula a mesma pergunta: qual é o segredo para alcançar o sucesso na advocacia? A resposta costuma surpreender pela simplicidade. Não falo sobre marketing, redes sociais ou técnicas de persuasão. Respondo apenas uma palavra: paciência. E, quanto mais o tempo passa, mais convicto fico de que esse conselho vale para todas as profissões. Já sustentei neste espaço que vivemos a época da velocidade. Tudo parece precisar acontecer imediatamente. Multiplicam-se promessas de crescimento acelerado, fórmulas prontas e caminhos infalíveis para o sucesso. A internet transformou em mercadoria aquilo que antes era construído ao longo de anos de estudo e experiência. Surgiram especialistas para praticamente tudo. Ensina-se a alcançar resultados que o próprio mentor ainda não experimentou. Na advocacia isso também acontece. Tornou-se comum encontrar profissionais oferecendo mentorias sobre atuação em áreas altamente especializadas, como os Tribunais Superiores ou o Tribunal do Júri. Compartilhar conhecimento é, sem dúvida, uma iniciativa valiosa. O problema surge quando a experiência anunciada não corresponde à realidade. Antes de confiar sua formação a alguém, vale uma pergunta simples: essa pessoa efetivamente percorreu o caminho que se propõe a ensinar? Ao longo da minha trajetória como advogado criminalista e professor de Direito Penal, aprendi que a experiência não admite atalhos. Ela nasce da repetição, dos erros, das derrotas e, sobretudo, do tempo. Nenhuma sustentação oral se aprende integralmente em poucas horas. Nenhum plenário do Tribunal do Júri entrega suas lições antes que o advogado experimente a tensão, o silêncio e a responsabilidade que somente o caso concreto proporciona. Penso assim pois a minha formação foi construída dessa maneira. Durante os cinco anos da graduação, estagiei ininterruptamente, acompanhando de perto a rotina da advocacia. Paralelamente, organizava cursos de Tribunal do Júri para os próprios colegas, assistia a dezenas de julgamentos e produzia fichamentos de cada um deles. Aprendi a preparar um plenário muito antes de nele atuar. Passei anos estudando a estrutura de um julgamento, aperfeiçoando técnicas de sustentação oral e realizando exercícios de respiração e aquecimento vocal. Por isso, confesso que não acredito que uma atividade complexa — especialmente a advocacia — possa ser dominada com excelência em um curso rápido. A experiência pode ser compartilhada; o tempo necessário para construí-la, não. É por isso que desconfio das promessas de sucesso instantâneo contidas nesses produtos. O crescimento sólido é silencioso. Ele acontece enquanto poucos estão olhando. Exige estudo permanente, disciplina, humildade para reconhecer limitações e disposição para recomeçar quantas vezes forem necessárias. É um processo menos sedutor do que as fórmulas prontas, mas infinitamente mais consistente. Isso não significa rejeitar a inovação ou o aprendizado com quem percorreu determinado caminho. Ao contrário. Bons mentores e colegas encurtam distâncias e evitam erros desnecessários. O cuidado está em distinguir experiência de marketing, trajetória de narrativa e autoridade de popularidade. Nem sempre quem mais aparece é quem mais viveu aquilo que ensina. Com o passar dos anos, percebi que a resposta àquela pergunta feita pelos alunos continua exatamente a mesma. O sucesso raramente chega depressa. E, quando chega, quase sempre encontra quem teve serenidade para esperar, coragem para persistir e humildade para aprender durante todo o percurso. A minha resposta, certamente, não é a mais atraente para os tempos atuais. Continuo acreditando, entretanto, que é a mais verdadeira.