[[legacy_image_270302]] Começo a escrever a coluna deste sábado às portas de concluir mais uma semana. A velha máxima de que 'no final passamos a pensar no começo' sempre esteve presente na minha vida. As pessoas que compartilham do meu convívio, bem como aqueles que me acompanham através dos meus textos já se deram conta disso. A saudade, o tempo e, especialmente os sentimentos e dores da alma estão ali em todos os gestos, palavras e escritos. É a maneira que encontrei de tocar as pessoas e, quem sabe até contribuir para que reflitam e progridam com isso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! https://assine.atribuna.com.br/ Levando-se em conta que estamos falando do que fazemos no final, seja lá o que estejamos finalizando, nada consegue refletir melhor esse ponto do que a finitude humana. A morte é um tema universal e inevitável que me desperta uma série de reflexões e questionamentos sobre a vida. Apesar de estar frequentemente associada a sentimentos de tristeza, perda e desespero, considero que ela pode, igualmente, proporcionar uma nova perspectiva sobre a vida e funcionar como um catalisador para uma compreensão mais profunda e significativa da existência. A perspectiva imposta pela mortalidade confere um senso de urgência à vida. Quando nos confrontamos com a realidade de que nossa existência é temporária e que em algum momento todos nós partiremos, somos instigados a questionar o propósito e o significado de nossas ações. Creio que não podemos ignorar essa realidade. Ao contrário, é preciso encará-la de frente para que possamos entender a importância da vida e do momento presente. Essa atitude firme nos encoraja a repensar prioridades, a valorizar o tempo que temos e a buscar uma vida mais autêntica e satisfatória. Vivemos num tempo em que tudo passa rápido demais e a morte nos lembra da impermanência das coisas. Ela nos obriga a enfrentar a transitoriedade dos bens materiais, dos relacionamentos e das experiências. Ao compreender que tudo está sujeito a desaparecer, somos encorajados a cultivar uma atitude de gratidão e apreciação pelo presente. Penso ser fundamental que façamos essa reflexão no sentido de apreciar cada momento da vida como algo único e valioso. Numa sociedade na qual as relações são descartáveis e as pessoas estão cada vez mais distantes, com os aparelhos eletrônicos assumindo o espaço que outrora pertenceu aos beijos e abraços, somos convidados a refletir sobre nossos valores e o legado que deixaremos. Olhando no espelho e confrontando a minha própria mortalidade, questiono o impacto que estou causando no mundo e nas histórias das pessoas. Chego à conclusão de que trilho um caminho em busca de uma vida mais significativa, onde procuro contribuir de maneira positiva para a sociedade e, essencialmente, deixando um legado de honestidade e bons exemplos. A percepção da morte funciona, igualmente, como ferramenta para o cultivo da empatia e compaixão. Ao reconhecermos que estamos enfrentando o mesmo destino, desenvolvemos uma maior compreensão pelas lutas e desafios dos outros. A morte nos une como seres humanos em nossa vulnerabilidade compartilhada, e isso nos encoraja a estender a mão e oferecer apoio uns aos outros. Trata-se de um mal irremediável que nos une na mesma direção, entretanto, que permite a chance de aproveitarmos cada minuto vivido e desenvolvermos o nosso progresso moral. Para que possamos fazer bom uso da vida é fundamental que consideremos a sua finitude.