(Unsplash) Termina mais um ano com tantas iniciativas e propostas para o setor portuário. O mundo não diminui a velocidade dos negócios, continuamos convivendo com demandas urgentes e aprendendo a lidar com as novas. Não equacionamos os problemas de dragagem, acessos e instabilidade jurídica. Por outro lado, vivemos uma nova realidade com os efeitos climáticos, emissão de gases de efeito estufa e descarbonização. Mal conseguimos avançar nos problemas que já convivemos e novos surgem. Tenho pautado os eventos do Grupo Tribuna com temas que são urgentes ao Porto de Santos e que possam auxiliar nas discussões estruturantes. No último Summit Antaq realizado na semana passada, em Brasília, a superintendente de Desempenho, Sustentabilidade e Inovação da Agência Nacional de Transportes Aquaviário (Antaq), Cristina Castro, trouxe com muita lucidez os caminhos que precisamos buscar. Cristina mostra indicadores dos portos quanto à descarbonização e traz os custos de infraestrutura voltamos ao tema. Além disso, trouxe uma reflexão pertinente: “Biocombustível não é sexy, o hidrogênio é”. Criar um sandbox, ambiente de teste isolado para testar novas soluções com segurança, olhando para a transição energética, pode ser um grande negócio para o Brasil. Realizando testes sem que eles interfiram ou danifiquem qualquer outro ambiente e tenham ramificações com o mundo real. Certamente a resposta não está no hidrogênio e, sim, no carbono. Com os dados que já temos e outros que estamos coletando, iremos tomar decisões assertivas e sem narrativas infundadas. Um outro enfrentamento, segundo Roberta Cox, diretora do Conselho Global de Energia Eólica, é a questão do lobby que existe hoje mundialmente para impedir a transição energética. Pessoas que estão influenciando as discussões e que criam narrativas que mudam a agenda ideal. Os dados que já possuímos hoje podem trazer luz ao que realmente é necessário e o que é narrativa infundada. O problema da transição está somente nos portos ou em toda cadeia de supply chain? Os órgãos governamentais licenciadores estão capacitados para a transição energética? Nesse mesmo evento, o presidente do Porto de Suape, Marcio Guiot, fez a opção do uso de etanol. O momento exige que se façam escolhas na transição. Será que, no Brasil, aqueles que fizerem escolhas hoje serão penalizados no futuro? Difícil saber se devemos esperar décadas para acompanhar a decisão do governo ou decidir para não ficar para trás e acompanhar as exigências do mundo e dos negócios. De uma maneira ou de outra, bons gestores públicos podem sempre ser penalizados ao sabor da política? Lima Filho, diretor da Antaq, detalha que os terminais de uso privado (TUPs) podem ter maior facilidade de adaptação, mas os portos públicos com boa gestão podem responder ainda melhor. O secretário nacional de Hidrovias, Dino Batista, de forma muito habilidosa já está movimentando o fundo da marinha mercante para as questões de transição. O segundo painel do evento deixarei para o próximo artigo. Para os curiosos e aqueles que querem conteúdo de verdade que proporcionam transformações podem recorrer ao canal do Porto 360 no YouTube e juntos iremos refletir quanto ao tema tratado.