(Imagem gerada por IA) O mercado portuário avalia as missões internacionais do Grupo Tribuna como iniciativas de alto valor estratégico para a modernização da infraestrutura logística brasileira. Elas são vistas como pontes fundamentais para a troca de experiências entre grandes lideranças nacionais e centros globais de inovação. Desde minha chegada ao grupo, tive o desafio de organizar as agendas de cada missão a partir de 2022. Iniciei por Roterdã (Holanda), depois Israel, Coreia do Sul, Estados Unidos e agora, em 2026, para a China. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! No início, a percepção de alguns era direcionada para portos com gate, pátio e costado, mas é bem sabido que os portos são muito mais do que isso. A nova commodity do setor portuário já não é mais o milho, o açúcar ou a soja. Os dados se tornarão um pilar estratégico e passaram a tomar conta da agenda dos grandes executivos. Isso porque analisar e integrar dados na maior velocidade possível é determinante para a sobrevivência dos negócios. As missões do Grupo Tribuna possuem a capacidade de reunir, em uma mesma comitiva, autoridades públicas (como o Ministério de Portos e Aeroportos e a Autoridade Portuária de Santos), grandes executivos de terminais e especialistas em tecnologia. As viagens permitem que reguladores e gestores privados discutam gargalos logísticos em um ambiente de imersão, facilitando o diálogo que muitas vezes trava na burocracia do dia a dia. As missões são avaliadas como oportunidades raras de ver, na prática, o que há de mais avançado em automação e digitalização. A do ano passado, para os Estados Unidos, por exemplo, foi elogiada por integrar visitas a portos tradicionais (Seattle e Everett), com imersões no Vale do Silício e na sede da Microsoft, focando em aplicações de inteligência artificial (IA). Os participantes frequentemente ressaltam o “choque de cultura” e a inspiração em modelos de sucesso de países como Israel, Coreia do Sul e Holanda. Usar a expertise em automação portuária pelo mundo para filtrar o que é aplicável à realidade brasileira evita a simples “importação” de modelos sem adaptação técnica. Lançada oficialmente em 2025, a missão para a China é aguardada pelo setor como a oportunidade definitiva de estudar a automação massiva e os novos terminais 100% remotos que dominam a logística asiática. De forma muito assertiva, visitamos os Estados Unidos em 2025 e vamos para a China em 2026. Conseguiremos entender, de fato, que a disputa mundial não é apenas por mercado, mas pela liderança de uma nova era industrial. Enquanto os EUA focam em segurança e influência política (“domínio de valores”), a China utiliza a dependência econômica e infraestrutura para consolidar sua presença global. O embate centra-se em semicondutores, IA e energia limpa. Os EUA buscam desacoplar (decoupling) suas cadeias de suprimentos da China, enquanto Pequim foca no plano Made in China para atingir autossuficiência tecnológica. O Brasil precisa adotar um equilíbrio pragmático, evitando alinhamentos ideológicos automáticos. Nessa disputa, nosso país pode tirar proveito, aumentando sua fatia nas importações de alimentos da China (de 17% para 25%), ocupando o espaço deixado pelos produtores americanos. Atrair o refino de terras raras e minerais críticos, por exemplo, em vez de ser apenas exportador de minério bruto. Usar a demanda chinesa por commodities para financiar a reindustrialização verde com tecnologia americana ou europeia. Nos EUA o foco é a modernização e resiliência. Por meio da Infrastructure Investment and Jobs Act, o país investe bilhões para reduzir emissões e atualizar tecnologias em portos antigos, tentando também revitalizar sua indústria naval interna com novas taxas sobre navios estrangeiros. Já na China, o foco é expansão e conectividade. O país financia e constrói portos estrategicamente pelo mundo (como o megaporto de Chancay, no Peru), criando rotas diretas para seus próprios mercados e garantindo controle logístico global. Com tantas transformações, uma abordagem sobre o impacto social da tecnologia varia drasticamente e sempre está na pauta do debate. O Brasil enfrenta o desafio de modernizar o Porto de Santos (meta de ser top 20 mundial), equilibrando a produtividade tecnológica com a forte representação sindical e a manutenção de postos de trabalho qualificados. A China prioriza a automação total como meta de Estado. Seus portos inteligentes reduzem custos de mão de obra em até 60%, focando na eficiência absoluta para manter a competitividade das suas exportações. Os EUA focam em cibersegurança e empregos domésticos. Há um movimento para garantir que a automação não dependa de tecnologia chinesa e que a mão de obra americana seja requalificada para operar infraestruturas de tecnologia limpa. O posicionamento atual dos portos da China, EUA e Brasil reflete uma disputa por eficiência, controle de cadeias globais e transição tecnológica. Em 2026, a China consolida sua liderança absoluta em escala, enquanto os EUA tentam recuperar terreno via modernização e o Brasil foca em atrair capital externo para expandir sua capacidade exportadora. A China não apenas possui os maiores portos do mundo, como o de Xangai, mas lidera a fronteira tecnológica global. Tecnologia e eficiência: terminais chineses utilizam IA e veículos autônomos que aumentam a eficiência em 40% e reduzem custos de mão de obra em 60%. Geopolítica global: por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, o capital chinês está presente em 168 portos em 90 países. Posicionamento: atuam como os arquitetos da logística global, controlando não apenas seus portos, mas rotas estratégicas em outros continentes para garantir o escoamento de sua manufatura. O foco americano em 2025/2026 mudou para a modernização da infraestrutura existente e a redução da dependência de tecnologias estrangeiras (especialmente chinesas). Investimento massivo: a Lei de Infraestrutura Bipartidária destinou bilhões para o ano fiscal de 2025 (um salto de US\$ 18,8 bilhões em relação a 2021) focados em resiliência climática e cibersegurança. Protecionismo naval: o governo propôs taxas sobre navios construídos fora dos EUA para tentar reviver sua própria indústria naval. Posicionamento: atuam de forma defensiva e de modernização, priorizando a segurança nacional e a atualização de portos antigos para competir com a eficiência asiática. O Brasil posiciona-se como uma potência exportadora agrícola que busca infraestrutura para sustentar seu recorde de US\$ 169 bilhões em exportações agro em 2025. Expansão em Santos: o Porto de Santos tem um plano para dobrar de tamanho, com leilões previstos para até 30 novos terminais a partir de 2027. Dependência e parceria com a China: empresas chinesas como a Cofco estão investindo US\$ 285 milhões em um novo terminal em Santos para garantir o fluxo de grãos diretamente para a Ásia. Posicionamento: atua como um facilitador estratégico, equilibrando a soberania com a necessidade de investimentos chineses (que somaram US\$ 4,16 bilhões em 2024 no país) para superar gargalos de logística. No universo da logística global, o Brasil não deve depender exclusivamente da China ou dos EUA, mas sim exercer uma autonomia estratégica. Depender dos EUA seria ignorar nosso maior comprador de carga (China); depender da China seria entregar a soberania tecnológica e afastar o maior investidor histórico em inovação (EUA). China (o cliente): o Brasil é o maior exportador de alimentos para a China. Eles controlam a demanda. Se o Brasil se alinhar totalmente aos EUA, corre o risco de sofrer retaliações comerciais que paralisariam o agronegócio e a mineração brasileira. EUA (o parceiro tecnológico): os EUA detêm a hegemonia dos softwares, sistemas de defesa e padrões financeiros. Se o Brasil se alinhar totalmente à China, pode sofrer sanções tecnológicas, perder acesso a componentes críticos de IA e ser excluído de cadeias de valor ocidentais (como o mercado europeu). O Brasil deve se posicionar como um "hub multipolar". No setor portuário, isso significa ser o porto onde o navio chinês atraca com eficiência, mas os dados e a segurança cibernética seguem protocolos internacionais de alta confiança. No campo da infraestrutura (modelo China), devemos atrair investimento em ativos físicos: o Brasil deve continuar aceitando capital chinês para construir terminais e ferrovias. Em vez de apenas comprar equipamentos, deve exigir que parte da manutenção e montagem ocorra aqui, gerando mão de obra qualificada. Já no campo da tecnologia e gestão (modelo EUA), devemos manter os softwares e cuidar da cibersegurança, adotando padrões internacionais de IA e segurança de dados para os sistemas de gestão portuária. Copiar o modelo de porto verde implementado em Long Beach e Seattle é importante para valorizar o produto brasileiro no mercado internacional. O Brasil deve garantir que seus portos sejam neutros e eficientes para qualquer bandeira e reduzir a dependência de navios estrangeiros. Mas como incentivar a construção naval local para ter soberania no transporte das próprias commodities? Certamente um grande desafio frente à modernidade dos estaleiros chineses, norte-coreanos e americanos. Com a situação política e burocrática atual, isso se torna ainda mais complexo. Podemos aproveitar que os EUA querem trazer fábricas da Ásia para as Américas. O Brasil pode se oferecer como base logística segura para montar componentes eletrônicos, usando energia limpa como vantagem competitiva. O segredo para o país não é escolher um lado, mas ser indispensável para ambos. A China precisa da nossa comida; os EUA precisam de estabilidade na América Latina e recursos naturais. Se o Brasil modernizar seus portos com o pragmatismo da China e a segurança dos EUA, pode se tornar um dos maiores beneficiários dessa disputa. Portas em automático. Destino deste ano: China!